Um passeio pitoresco e bem humorado pelo universo dos fliperamas e videogames das décadas de oitenta e noventa. Nascido em 1978, minha infância e adolescência transcorreram nas décadas de 80 e 90.
dassem daquele torpor). Lugar pesado, uma mão no joys- tick e outra na carteira. Sombrolhos enfezados, desconfian- ça, moleque olhando moleque de cima a baixo, gírias ainda mais restritas circulando entre os locais. Uma memória pi- toresca: Morando em São Gonçalo, uma vez por mês ia ao centro de Niterói, cidade vizinha, comprar quadrinhos nas bancas de gibi usado. Geralmente ia acompanhado de meu amigo Ronaldo. Era ou vínhamos de uma fase ruim e, crias da periferia, nós dois poderíamos ser colocados no time dos brigões, ou ao menos gostávamos de nos acreditar assim. Quando entrávamos em tal espelunca, eu, mais centrado, avisava ao amigo: "Ronaldo, já sabe. Aqui só tem pivete, e esses caras todos se conhecem. Se começar uma briga aqui, não dá pra gente não. Então é o seguinte: Caso algum ma- landro meta a mão no seu bolso enquanto estiver jogando, ou tente pegar nossa bolsa (estava cheia de nosso tesouro, gibis Marvel/DC!), você prancha logo a cara dele e a gente corre pro terminal rodoviário (que ficava próximo). E eu faço o mesmo. Bota logo um a zero e vaza!" Acredite, era nesse espírito marcial, misto de burrice, presunção e cora- gem, que ali entrávamos. Sim, amigos, hoje é engraçado, mas era loucura - e risco de vida - total!
Pulemos para outro tipo, um todo especial: O fliperama "Cápsula do Tempo". Aquele lugar onde a máquina ou as máquinas só e sempre tinham jogos antigos, atrasados em relação ao entorno, ao momento. Um exemplo raso: Em tempos de Street Fighter 2 e Samurai Aces nos arcades, vo- cê chegava lá no bar do tiozinho e se deparava com Pac- Man e um Galaga. E quando, um ano depois, os jogos final- mente eram trocados, eram substituídos por mais games do tempo do ronca. E você pensava, decepcionado: "Mas quem administra essa bagaça??!!!". Tais lugares ou jogos, okay, ti-