Quero uma revista
Silvio Almeida; o resgate da nossa entonação cultural apoia-se no "Pretuguês" de Lélia Gonzalez; o apagamento de nossa inteligência é combatido com o conceito de epistemicídio de Sueli Carneiro; a análise da geografia da exclusão encontra eco em Milton Santos; e o controle militarizado sobre a vida e a morte nas comunidades é decifrado pela Necropolítica de Achille Mbembe. Soma-se a esse panteão a preciosa referência bibliográfica da Professora Doutora Marise de Santana e as pesquisas do programa ÓYÁ-ODÉÈRE da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Relembrar as aulas de 2008 e trazer a minha ex-professora como coluna teórica deste livro é a prova incontestável de que o conhecimento antirracista é um legado continuado e geracional.
"Caminhos da Liberdade" recusa terminantemente a narrativa da passividade ou do coitadismo. Não fomos e nunca seremos meros sobreviventes da dor; somos os construtores legítimos e soberanos da alma, da ciência, do direito e da riqueza desta nação. Ao encerrarmos esta jornada pautando a educação antirracista e os cursinhos populares como as grandes trincheiras pedagógicas do nosso tempo, deixamos um manifesto de convocação para as próximas gerações. Este livro é um escudo para os meus filhos e um mapa para cada leitor que escolhe não se calar. O projeto da elite foi desenhado para nos manter na tranca ou na margem, mas a nossa união intelectual e a nossa indignação organizada são as ferramentas definitivas para provar que a nossa coroa jamais será arrancada. Viemos do topo, e é para o topo que nós estamos voltando.