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APÊNDICE A GLOSSÁRIO PEDAGÓGICO: AS PALAVRAS QUE GUARDAM AS CADEIAS DO PASSADO
Este glossário não tem o objetivo de criar uma lista de termos proibidos por decreto, mas sim de fornecer ao leitor um instrumento de letramento racial. Como discutimos no Capítulo 2, a linguagem é viva e muda quando passamos a conhecer a história real por trás daquilo que repetimos no cotidiano de forma automática. Conhecer o peso das palavras é o primeiro passo para escolher caminhos mais respeitosos na nossa fala.
Serviço de preto: Expressão utilizada de forma pejorativa para classificar um trabalho como malfeito, desleixado ou incompetente. Associa diretamente a população negra à falta de capacidade técnica e ao descuido. Contradiz frontalmente a história do Brasil, cuja riqueza e infraestrutura foram erguidas pelo suor e pela maestria técnica de trabalhadores negros escravizados e libertos.
Como substituir: Trabalho malfeito, serviço mal acabado, tarefa feita às pressas ou sem capricho.
Denegrir: Termo que tem em sua raiz a ideia de "tornar negro" ou "escurecer". Na linguagem cotidiana, é usado como sinônimo de difamar, manchar ou prejudicar a reputação de alguém, associando o ato de escurecer a algo necessariamente negativo, danoso ou maldoso.
Como substituir: Difamar, desacreditar, prejudicar a imagem ou caluniar.
Lista negra Mercado negro Ovelha negra: Expressões que utilizam sistematicamente a palavra "negra" ou "negro" para qualificar algo como proibido, ilegal, clandestino, perigoso ou indesejado dentro de um grupo. A repetição exaustiva desse padrão reforça no imaginário social o estereótipo de que o claro representa a pureza e a legalidade, enquanto o escuro representa o perigo e a exclusão.
Como substituir: Lista de restrição (ou de bloqueio), comércio clandestino (ou mercado ilegal) e pessoa que destoa do grupo.