Quero uma revista
antes mesmo que eles aconteçam nas esquinas. É a caneta erguida como escudo de emancipação.
Escrever esta obra foi o meu ato de insubmissão contra esse plano secular de apagamento. E, para além do debate público, este livro carrega a minha maior missão pessoal: ele é um mapa para os meus filhos. Faria meu coração imensamente feliz ver meus filhos lerem estas páginas e encontrarem nelas um divisor de águas na forma como enxergam o mundo. Tentei traduzir de maneira simples e acessível as maldades profundas do racismo estrutural e institucional. São esses formatos, operados silenciosamente pela elite dirigente, os mais perigosos; eles não gritam xingamentos nas ruas, mas assinam decretos, filtram currículos, negam verbas e desenham barreiras invisíveis com a frieza de uma canetada burocrática. Quero que meus filhos cresçam sabendo identificar essas armadilhas para que nunca aceitem a subalternidade que a elite tenta lhes impor.
Nós não somos sobreviventes da história de opressão que tentaram desenhar para nós; somos os construtores soberanos da alma, da inteligência e da riqueza deste país. Se o projeto do Estado foi arquitetado pela elite para nos manter na tranca, na margem ou no vácuo de direitos, a nossa união, o nosso letramento e a nossa voz para as próximas gerações são as provas definitivas de que viemos do topo, e é para o topo que nós estamos voltando.