Quero uma revista
companhia de um homem branco ("galego") mesmo que este seja um criminoso ("ladrão" ou "algemado") a um homem negro instruído ("de dez dias formado" ou "de paletó
Esse tipo de publicação expõe a engrenagem cruel da internet moderna: utiliza-se a imagem de um corpo negro para o escárnio público, disfarçando o crime de ódio sob a máscara da "piada" ou do "entretenimento". O resultado imediato é a abertura de porteira para centenas de comentários anônimos e criminosos na aba de respostas, onde o linchamento virtual é normalizado. É a tecnologia a serviço da covardia, transformando a humilhação alheia em engajamento algorítmico e lucro para as plataformas.
O lado mais doloroso dessa modernidade digital é a exposição vulnerável das nossas crianças. Hoje, conteúdos que reforçam estereótipos racistas são entregues diretamente para o público infantil em plataformas de vídeos e jogos online. Um menino ou uma menina negra pode ser atacada por usar um avatar preto ou exibir seu cabelo natural. Esse racismo fere a mente da criança dentro do próprio quarto, transformando o refúgio do lar em um ambiente de hostilidade.
5.4 O braço da lei na internet: o que diz o Código Penal e o Marco Civil
O Direito hoje já compreendeu que a internet não é uma terra sem leis. Quem comete racismo ou injúria racial nas redes sociais responde rigorosamente pela Lei nº 7.716/1989 e pelo Código Penal. Inclusive, quando o crime é cometido por meio de redes sociais ou publicações na internet, a lei prevê uma causa de aumento de pena, tornando a punição ainda mais severa (podendo chegar a 5 anos de reclusão), justamente porque o estrago e o alcance da ofensa digital são infinitamente maiores.
Além disso, o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) garante os mecanismos para que os provedores de aplicativos sejam obrigados a preservar os dados de registro e os IPs dos agressores, permitindo que a polícia descubra a real identidade por trás de qualquer perfil falso.
5.5 Guia prático: o que fazer em caso de racismo na internet
Apontar esse problema gravíssimo é o primeiro passo, mas este livro tem o compromisso de trazer os meios práticos para resolver e combater essa violência. Se você ou seu filho forem vítimas de racismo na internet, siga estas orientações fundamentais:
Não apague nada e não bata boca: O agressor quer o palco do conflito, mas o que você precisa é de provas incontestáveis.