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CAPÍTULO 7
A CRIMINALIZAÇÃO DA CULTURA E DO SAGRADO AFRO-BRASILEIRO
Para compreender por que o racismo no Brasil se perpetua com tanta força, precisamos entender que o projeto da elite branca nunca foi apenas explorar o trabalho braçal do povo negro. A dominação precisava ser completa. Para manter um povo escravizado ou empurrado para as margens após a abolição, era preciso fazer com que a sociedade e os próprios negros passassem a ver tudo o que vinha de África como algo perigoso, feio, atrasado ou maligno.
A elite usou a força do Estado, da polícia e das igrejas para marginalizar a nossa cultura. Vamos abrir as cortinas da história e entender o verdadeiro motivo de cada uma dessas perseguições e por que esses preconceitos ainda sangram nos dias de hoje.
7.1 O Sagrado Perseguido: A Invenção do "Diabo" no Axé
A face mais violenta desse projeto de apagamento atinge diretamente a nossa espiritualidade. Hoje em dia, quando uma casa de Candomblé ou Umbanda é atacada, ou quando pessoas usam a sua própria fé para insultar o sagrado de matriz africana, a desculpa utilizada é sempre a mesma: "Isso é coisa do demônio". No entanto, é fundamental desmistificar essa narrativa colonial
Para compreender o porquê dessa perseguição, recorremos aos ensinamentos da Professora Doutora Marise de Santana, importante referência nos estudos afrobrasileiros no estado da Bahia, com sólido trabalho desenvolvido no programa ODEERE da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB). Em suas pesquisas sobre o legado ancestral africano, a professora Marise desmascara a engrenagem colonial ao cunhar o conceito de "desafricanizar para cristianizar". Ela demonstra que os colonizadores e as elites utilizaram a imposição religiosa e a destruição dos valores civilizatórios de África como estratégia deliberada para apagar a memória, a cultura e a humanidade da população negra, forçando-a a se submeter aos padrões eurocêntricos e cristãos como condição de sobrevivência.