Quero uma revista
contexto, mas vale pensar por que escolhemos esse termo e o que estamos tentando dizer.
A mudança não precisa esperar que alguém reclame. Conhecer a história já é motivo para refletir e escolher palavras que reconheçam a pessoa por inteiro. Se sabemos o nome dela, podemos usá-lo. Se queremos fazer um elogio, podemos elogiar sem reduzir a pessoa à cor da pele.
Não é preciso acusar toda pessoa que já usou essas expressões de ter tido intenção racista. É possível reconhecer que aprendemos certos costumes sem conhecer sua história e que, depois de conhecê-la, temos a oportunidade de escolher novos caminhos para a nossa fala e para as nossas relações.
CAPÍTULO 3
CABELO: IDENTIDADE, MEMÓRIA RESISTÊNCIA
Se a gente quiser entender onde o racismo dói de forma mais íntima e silenciosa, precisa falar sobre o cabelo. Para uma pessoa negra, o cabelo nunca foi apenas uma questão de vaidade ou estética. Mexer no cabelo é mexer na identidade, na autoestima e na história de um povo. Até hoje, a textura dos fios é um dos principais campos de batalha do preconceito.
Quem nunca ouviu, na escola, no trabalho ou até na própria família, expressões como cabelo ruim cabelo duro ou bombril
Ou aquela ordem disfarçada de conselho: Por que você não dá uma abaixada nesse cabelo? ou Por que não prende para ficar mais apresentável? A gente precisa entender de onde veio essa obsessão em tentar domar, esconder e depreciar o cabelo crespo.
A imagem de que o cabelo crespo é sinônimo de desleixo, feiura ou falta de higiene não nasceu do nada. Ela foi construída por uma sociedade que colocou a aparência branca como padrão universal de beleza, civilidade e poder. Como vimos no primeiro capítulo, o racismo também se apoiou em teorias racistas e em leis para manter a população negra em posições de desigualdade. A aparência e o cabelo também fizeram parte dessa história.