Quero uma revista
CONCLUSÃO FUTURO
O LEGADO DA INDIGNAÇÃO E OS PASSOS PARA O Este livro não nasceu do desejo de preencher prateleiras acadêmicas com teorias frias e distantes da realidade. Ele brotou do incômodo diário. Nasceu do cansaço de presenciar expressões racistas sendo repetidas em tom de brincadeira, de ver a dor do outro ser minimizada como "mimimi" e de testemunhar a naturalização de barreiras invisíveis que continuam ditando quem pode circular com paz e quem deve viver sob a mira da desconfiança.
A jornada por estas páginas foi um exercício de letramento e formação, costurado pelas vozes de autores fundamentais, mas validado pelo crivo implacável da vivência prática. Quando cruzei as portas do curso de Direito, a engrenagem que eu já observava nas ruas de comunidade ganhou nome, código e artigo. Ficou nítido como o sistema opera: a legislação exige que o agente de segurança pública apresente uma justa causa, uma fundamentação técnica para justificar o motivo de uma abordagem ou de um enquadro na rua. No entanto, quando o alvo é um corpo preto ou um território periférico, o espaço abstrato dessa justificativa legal é preenchido de forma velada, automática e muitas vezes inconsciente pelas velhas teses eugenistas de Cesare Lombroso e Nina Rodrigues.
Não se trata de ignorar que as forças de segurança são compostas por seres humanos, trabalhadores e pais de família. Trata-se de denunciar que a instituição do Estado, desenhada no pós-abolição para conter e vigiar os recém-libertos, permanece estruturalmente racista. O "tirocínio" ensinado nas academias ainda elege a nossa estética, o nosso cabelo e a nossa cor como o próprio corpo do delito.
Como vimos ao avançar para a trincheira do chão da escola, a resposta a esse projeto de encarceramento e controle não pode ser o silêncio, mas sim a disputa ativa das mentes. É na virada de chave curricular, na implementação corajosa da educação antirracista e no desmonte da lógica de desafricanização que começamos a desarmar os enquadros