Data da leitura: Abril de 2026
Após a morte da velha Abadessa, a rotina do convento sofreu muitas mudanças imperceptíveis para o mundo fora dos seus muros. A supervisão espiritual das freiras estava a cargo do Bispo de Trève les Frêles. Ninguém ousaria criticar algo aprovado por um dignitário tão alto da Igreja.
Nas horas mais escuras da noite, a capela do convento tornava-se palco de danças orgiásticas e cânticos estranhos em línguas desconhecidas. Trajes esdrúxulos, pompas e banquetes tornaram-se a ordem do dia no Convento de Santa Barbara.
Revezamentos de artesãos estrangeiros vieram ao convento para redecorar os suntuosos aposentos da Abadessa. A torre octogonal tornou-se o centro de muita atividade. A ala norte foi escolhida por Doña Rosalinda como seu espaço especial, a torre octogonal da construção estando nessa parte do edifício. A sala superior foi convertida em um observatório, terraços abertos em todos os lados proporcionando uma visão completa dos Céus. A câmara de admissão e a alcova ficavam sob o observatório, que podia ser convenientemente acessado por uma escada em espiral. Seda escarlate cravejada com pequenos Grifos roxos e dourados formavam as tapeçarias penduradas nesses cômodos. Os móveis, feitos de madeira escura e perfumada, eram esculpidos com toda sorte de animais da criação. Brocados e capas de toureiro maravilhosamente bordadas brotavam do trono da Abadessa, que estava esculpido com seu emblema pessoal de Espadas e Romás.
Assoalhos de madeira de ébano e magnólia branca incrustados com anjos de prata e medalhões de bronze dos apóstolos formavam o chão suntuoso sob os pezinhos de Doña Rosalinda. Havia algo inquietante nesses seres sagrados sendo pisados pela Abadessa. Um tapete persa era vez ou outra estendido para receber visitas especiais.