Data da leitura: Abril de 2026
distância de uns três metros não seriam difíceis de acertar. Eu nunca te confundiria com um cão policial feroz."
Não fiquei muito feliz com o argumento de Carmella: “Vamos imaginar que tenha apenas um cão policial me perseguindo e dando voltas e mais voltas em círculo. Seria fácil você me acertar no lugar dele".
"Você", disse Carmella cortando o ar com seu charuto, "estaria descendo dez andares pela corda. Os cães estariam atacando a mim, não a você."
"Bem", eu disse, não muito convencida, "depois que fossemos embora do pátio de exercícios (suponho que seria um pátio de exercícios, cercado por muros altos), repleto de cães policiais mortos, o que faríamos e para onde iríamos?"
"Nós nos juntaríamos a uma gangue num resort caro à beira-mar e ficaríamos grampeando os telefones dos vencedores de corridas de cavalos antes que as casas de apostas pagassem."
Carmella tinha saído pela tangente. Fiz uma tentativa de trazê-la de volta para o centro da nossa conversa.
"Achei que você tinha falado que não permitem animais nas instituições. Quarenta cães policiais com certeza são animais, não são?”
"Cães policiais não são exatamente animais. São animais corrompidos, sem nenhuma mentalidade animal. Se policiais não são seres humanos, como cães policiais poderiam ser animais?"
Era impossível responder. Carmella deveria ter sido advogada, ela era muito boa em debates complicados.
"Então poderíamos dizer que os cães collie são ovelhas corrompidas", concluí. "Se eles mantêm tantos cachorros numa instituição, não vejo que diferença um ou dois gatos poderiam fazer."
"Pense na angústia constante dos gatos tendo que viver entre quarenta cães policiais ferozes." Carmella olhou para a frente com uma expressão