Data da leitura: Abril de 2026
Estava começando a me divertir, mas a sra. Van Tocht logo me impediu de falar com um gesto imperioso: "Você nunca deve se orgulhar de nada. Mesmo algo tão trivial quanto uma anedota cômica é uma praga espiritual se usada como fonte de amor-próprio. A modéstia é fonte de luz. O orgulho é uma doença da alma. Muitas pessoas vêm a mim em busca de conselhos e conforto espiritual. Quando ponho minhas mãos sobre elas para acalmar suas ansiedades e enchê-las de Amor e Luz, sempre digo: 'Primeiro seja modesto. Um copo cheio não pode receber"".
Ela estava quase sentada em cima de mim, eu mal conseguia respirar, mas estava determinada a contar mais sobre Muriel: "Minha nora começou a dar festas com partidas de bridge depois que o Robert trouxe o aparelho de televisão para casa. Quer dizer, teria sido bridge, na minha época. Agora eles chamam de Festa da Canastra. Eles literalmente me expulsaram da sala quando as pessoas chegaram para jogar esse jogo ridículo. Na primeira noite, me recusei a sair e contei catorze histórias de papagaios, sem esquecer o final de mais de seis".
Esperava que ela me pedisse para contar uma dessas histórias, e eu tinha acabado de decidir contar a história do Papagaio de Yorkshire, quando ela recomeçou: "Nas quartas à noite, Natacha reúne grupinhos em nosso bangalô. Tenho certeza de que você terá um grande proveito espiritual se vier também. Ficaríamos só Natacha, Maude, você e eu, tudo muito aconchegante e intimista. Natacha nos passa as Mensagens, enviadas a cada uma de nós individualmente a partir do grande invisível, e então damos as mãos em volta de uma mesinha e trocamos vibrações. Às vezes somos favorecidas com materializações do plano astral".
Eu tinha acabado de chegar à metade da história do Papagaio quando ela se levantou e disse: "Então esperamos você às oito e meia da noite de quarta-feira no meu bangalô. Não mencione isso para a sra. Gambit, pois