Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
30 de outubro de 2026 - Brasil
Foi ali, na demorada fila do caixa, enquanto meu fragmentado pelo pensamento era bipe frenético e intermitente do leitor de código de barras, que me recordei de algumas aulas de ética em especial, das ideias de Emmanuel Lévinas. O filósofo lituano radicado na França defendia que a filosofia e a ética não começam no pensamento abstrato, mas no mundo real, no encontro incontornável com o Outro.
Para Lévinas, o verdadeiro nascimento da ética acontece quando somos confrontados por um Rosto que não é o nosso. E esse Rosto, no pensamento levinasiano, não se limita aos aspectos físicos não é mero arranjo de olhos, nariz, boca, bochechas mas uma presença irredutível que nos intima, nos lança para fora da zona de conforto e nos retira da indiferença. O Rosto do Outro nos atravessa e nos diz, sem precisar emitir um único som: “você tem responsabilidade sobre mim”.
Quando alguém saudosista lamenta que “antigamente era melhor”, o que está sendo saudado, quase sem perceber, é um tempo em que o Outro não tinha Rosto. Ou melhor, em que o Outro era mantido invisível, sem direito à resposta. A pretensa paz do passado não era harmonia; era silenciamento, uma produção sistemática e estrutural de invisibilidades onde aqueles que detinham o poder ou os privilégios se sentiam no direito de marginalizar os demais.
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