Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
30 de outubro de 2026 - Brasil abril de 1941, durante a Era Vargas, o Conselho
Nacional de Desportos, publicou o decreto-lei 3.199 que contava com o seguinte artigo: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza”. É impossível medir o impacto dessa proibição na evolução do futebol feminino, já que esse decreto ficou vigente por quase 40 anos, sendo revogado somente em 1979.
Os reflexos desse passado, ainda tão presente, são perceptíveis em comentários preconceituosos nas redes sociais, escancarando o ódio pelo rompimento de um padrão esperado das mulheres. Em transmissões esportivas ou em notícias relacionadas ao futebol feminino já me deparei, por exemplo, com os dizeres “futebol feminino era bom na década de 60 quando não existia”, “falta de lavar louça” e “ninguém assiste e se interessa”. Isso, sem mencionar, a frequente descredibilização de profissionais envolvidas com o mundo esportivo, as jornalistas, comentaristas, narradoras, árbitras e dirigentes.
Para tornar a situação ainda mais revoltante mas não surpreendente esse discurso é endossado por muitas comissões técnicas e dirigentes de grandes clubes. Em uma entrevista ao jornal O Globo, em novembro de 2024, Rodolfo Landim, na época presidente do Flamengo e contando com a artilheira Cristiane no elenco do time feminino,
declarou que “a FIFA está crescendo o futebol feminino, criando uma data FIFA. E vai querer empurrar esse troço.” O futebol de mulheres provoca a ira gratuita daqueles que se acham os detentores supremos das regras do jogo e ainda tentam ter controle sobre os corpos e as decisões alheias.
Mas o jogo virou, os contra-ataques vieram, as jogadoras driblaram os adversários, saíram atrás da linha de impedimento, mas dispararam para chegar na frente. Jogada legal. Com a bola no pé, dominaram o lance, seguiram de cabeça erguida, com os olhos fixos no grande objetivo. Na frente do gol, elas não perderam a oportunidade. A bola alcançou as redes e a explosão tomou conta. Não há mais volta. A tendência é que, com o tempo, esse jogo vire uma goleada. Com os estádios cheios. Contra um adversário que as subestimou.
Em 2027, temos a chance de mostrar para o mundo que o futebol de mulheres veio para ficar, apesar de todas as contrariedades e tentativas de prejudicá-las.
Foram décadas de proibição.
Anos de falta de investimentos, incentivos e formação de base praticamente inexistente.
Essa pode ser a nossa grande oportunidade. Oportunidade para reafirmar o potencial em desenvolvimento da modalidade. Oportunidade para que meninas tenham a chance de também crescer jogando bola, se assim desejarem.
www.revistadivulgacao.com.br