Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
30 de outubro de 2026 - Brasil
QUANTO CUSTA A NOSTALGIA?
Diante da prateleira do supermercado, eu me peguei mergulhado naquela dúvida quase metódica do consumidor moderno: como comparar as mais diversas variações de preços na casa dos centavos, nas mais tantas versões de um mesmo produto e suas embalagens em mililitros, para decidir qual valia mais a pena colocar no carrinho.
Foi no meio desses cálculos mentais confusos, tentando usar os dedos como ferramenta, e, com muita dificuldade, confesso, pois sou um típico ser de humanas, que ouvi uma voz vinda do corredor vizinho. Pelo tom, me pareceu ser um senhor de mais idade fazendo um desabafo. Não sei a quem ele se dirigia, se a um funcionário da reposição ou a outro cliente qualquer, mas a frase atravessou as gôndolas com clareza: “Ah, mas antigamente era muito melhor…”.
A frase veio acompanhada de um suspiro nostálgico, como se aquele senhor — se é que de fato possuía a bagagem acumulada pelo tempo — carregasse uma grande e legítima saudade dos tempos idos. Por estarmos em um supermercado, pensei imediatamente que ele se referia à inflação, ao poder de compra do passado ou a uma vida que parecia correr em um ritmo mais lento e brando.
Mas, enquanto deitava os produtos no carrinho, já tendo desistido dos cálculos, fui tomado por aquela fala. A ideia do “antigamente era melhor”
ficou martelando na minha cabeça.
Não consegui enxergar aquele desabafo relacionado apenas aos valores econômicos; percebi que quem faz esse tipo de desabafo deixa essa ideia transbordar para quase todos os campos da vida humana: a política, a religião, a arte e as relações cotidianas. Foi esse raciocínio que me puxou para outra frase que escuto com frequência em sala de aula — e, infelizmente, também na sala dos professores: a de que o mundo, hoje, “ficou chato”, que não se pode mais falar nada e que tudo virou “mimimi”.
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