Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
O analista encerra a sessão ressaltando a função da figura da vereadora na vida de Manu e de outras pessoas negras e pobres, que alcançaram outros espaços. Marielle foi inspiração e ensinamento de que outras formas de esperançar a política eram possíveis. O praticante da psicanálise negritou que o que se escreve pode até ser rasurado, mas permanece como escrito, destacando que uma função não morre. O que a acalenta, em certa medida.
A cena não provocou mais do que alguns olhares dos que passavam, alguns sequer olharam. Manu, parou. Encostou em qualquer muro e olhou fixamente para a cena.
Os policiais não pareciam ter encontrado algo após a revista, mas a busca não se cansa de não cessar. Como diante da abordagem de alguém suspeito nada encontrariam? Olharam o celular do rapaz, o celular deles próprios, os três policiais pediram os documentos dele, aos quais ele entregou.
E Manu, ali permanece, sem dar um passo. Talvez tenha ficado como uma recusa de tomar aquela cena como cotidiana; ou para testemunhar o que ninguém que passava tivesse se interessado em entender; pode ser para que o rapaz a visse e se sentisse um pouco menos só.
O rapaz olha para Manu, ela também o olha, e ela resiste ali.
Se levanta do divã e sai do prédio em direção à Praça da Liberdade - queria ver a exposição nova do CCBB. Vira a rua seguinte e caminha até a segunda esquina, uma subida. Quando em sua frente, um rapaz de aproximadamente 20 anos, bermuda, óculos Juliet na nuca, cabelo platinado, camisa de time, negro, é abordado pela polícia, que passava num carro. “Para-para-para-para-para”, gritaram os policiais e depois ordenaram que o rapaz erguesse os braços, se virasse para a parede e começaram a revistá-lo.
Tayná Celen nasceu em Belo Horizonte, mas cresceu em Pedro Leopoldo. É filha de um pintor e de uma cozinheira e, desde a adolescência apostou na escrita como maneira de inventar lugares. Dentre as suas referências está a música negra brasileira, a escrevivência, a memória, a arte, a psicanálise e a sua vivência como mulher negra no mundo. Iniciou seus passos na literatura com o seu primeiro livro “Um poema sempre chega ao seu destino”, escrito em 2022, com poemas-cartas endereçados. Formada em Psicologia, é mestra em psicanálise, e segue percorrendo na pesquisa, na poética e na clínica as infinitas possibilidades da invenção www.revistadivulgacao.com.br