Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
No caminho até o consultório de seu analista se percebia observada por quem circulava na rua. Era olhada de cima à baixo por quem cruzava na calçada, quase que como se fosse ali um corpo estranho, ou até pudesse ser um corpo conhecido, caso estivesse com uma vassoura nas mãos ou atrás de um balcão vestindo uniforme. À paisana, no meio da tarde, causava desconfiança, então a sua estratégia passou a ser a de olhar para os seus pés, contando os passos. Os olhares que fitava na sua altura eram escolhidos em um ponto fixo ao longe, creditando à lonjura do alcance de seus olhos a capacidade de ignorar as distrações e seguir em frente.
No prédio onde ficava o consultório, sempre lhe era pedido o documento de identificação, mesmo que ali já frequentasse há quatro anos, todas as semanas. E ao adentrar a sala de seu analista, deita-se no divã e começa a falar da morte da vereadora carioca Marielle Franco.
Falou sobre o medo da morte e de que ali poderia ser ela, uma prima, uma amiga, alguma de suas tias, a mãe. Disse ao analista que o que a matou foi quem ela era e pelo o que lutava como vereadora eleita no município do Rio de Janeiro. Naquele 14 de março, falou chorando sobre como a morte de alguém que nem conhecia, lhe tocava profundamente. Trouxe à lembrança as imagens da campanha de Marielle caminhando pela favela da Maré no Rio, onde cresceu. Manu é mineira, mas nunca morou no Centro da cidade e nem em nenhuma região do sul de Belo Horizonte. Soubera dos bairros nobres por fotos e vídeos, e começou a frequentar um pouco mais esses espaços depois de começar a fazer faculdade porque pegava o seu segundo ônibus para chegar ao campus na Avenida Afonso Pena.
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