Uma edição, muitas vozes, diferentes olhares e um tema que atravessa a sociedade de muitas formas: PRECONCEITO. A segunda edição da Revista Divulgação reúne diferentes autores, experiências, opiniões e perspectivas para provocar reflexões sobre um assunto que precisa ser discutido, questionado e enfrentado. Em cada texto, um olhar. Em cada autor, uma forma de contribuir para uma conversa que não pode ficar restrita às páginas de uma revista. Falamos de sociedade, comportamento, respeito, diversidade e das muitas faces do preconceito que ainda insistem em fazer parte do nosso cotidiano. Porque quando diferentes vozes se encontram, novas perspectivas surgem. E é assim que o conhecimento também transforma! 📖 A segunda edição já está no ar! Venha conhecer, ler, refletir e compartilhar. Revista Divulgação. Conteúdo de verdade, para pessoas de verdade. #RevistaDivulgação #Preconceito #Diversidade #PluralidadeDeVozes #ConteúdoDeVerdade
Gorda, testudo, pixaim, neguinho, viado e as marcas que a escola deixa na vida da gente
Eu tinha 14 anos e estava na praia numa época na qual eu detestava ir à praia. Eu já tinha lido todos os livros que havia levado para a viagem e entrar no mar certamente não era uma opção. Naquele tempo, o Instagram tinha acabado de se popularizar e muita gente ainda não tinha migrado do Facebook para lá. Como a minha única escolha parecia ser explorar a mais nova rede social, postei uma foto na areia, com short e camiseta, em um daqueles filtros meio sépia, um dos poucos disponíveis no Instagram até então. Em poucos minutos, apitava o comentário de um colega da escola: GORDA. Eu queria muito dizer que aquilo não me atingiu, que não apaguei a foto imediatamente, que essa é a bela história de como eu resolvi aceitar que o meu biotipo simplesmente não é magro, mas a verdade é que, depois desse episódio, eu passei muitos anos sem postar uma foto sequer na praia. Mais do que isso: quando as férias acabaram e eu voltei para a escola, estava morrendo de medo de alguém ter visto o comentário e vir conversar sobre isso comigo.
Eu nunca saí da escola, porque, quando deixei de ser aluna, passei a ser professora. No entanto, é curioso observar que esse medo nunca desapareceu totalmente: ele sempre reaparece nas histórias que os meus alunos me contam. Nessas horas, parece que a Duda de 14 anos volta com toda força para dar um abraço em cada um e dizer que ninguém deveria precisar enfrentar aquilo sozinho. Porque essa, meus caros, é a vida de grande parte dos adolescentes dentro de uma escola. Não importa quão popular, inteligente ou bonito um aluno pareça: o receio de ser discriminado ainda pode estar ali.
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