O contexto importa. Se a intenção é elogiar, muitas vezes basta dizer que mulher linda ou que homem lindo Se a raça for relevante por exemplo, numa conversa sobre representatividade ou valorização da beleza negra mencioná-la com respeito pode fazer sentido.
O avanço está justamente em poder conversar sobre palavras que antes eram tratadas como intocáveis. Mais pessoas estão reconhecendo que uma fala pode reproduzir desigualdades mesmo quando era considerada normal ou carinhosa. Isso não significa que todo mundo saiba imediatamente o que dizer; significa que há mais espaço para ouvir, aprender e corrigir.
Muitas pessoas não se incomodam quando são chamadas de negão neguinho ou moreno Às vezes, recebem esses termos com carinho; outras vezes, simplesmente se acostumaram a ouvi-los. Mas a ausência de reclamação não significa que essas expressões sejam neutras ou que não carreguem uma história.
Moreno por exemplo, pode ser uma descrição comum em alguns contextos, mas também pode ser usado para evitar chamar alguém de negro ou preto, como se essas identidades fossem palavras que precisassem ser escondidas. O sentido depende do contexto, mas vale pensar por que escolhemos esse termo e o que estamos tentando dizer.
A mudança não precisa esperar que alguém reclame. Conhecer a história já é motivo para refletir e escolher palavras que reconheçam a pessoa por inteiro. Se sabemos o nome dela, podemos usá-lo. Se queremos fazer um elogio, podemos elogiar sem reduzir a pessoa à cor da pele.
Não é preciso acusar toda pessoa que já usou essas expressões de ter tido intenção racista. É possível reconhecer que aprendemos certos costumes sem conhecer sua história e que, depois de conhecê-la, temos a oportunidade de escolher novos caminhos para a nossa fala e para as nossas relações.