Data da leitura: Agosto de 2024
Na hora da ceia, tempos passados, ouviu os baques pesados no corredor e apareceu uma Jia que não tinha fim, grandona, gorda, repelente. Veio pulando, toda mole, escorrendo baba, até perto de João e sentou-se juntinho. O moço ia se esgueirando.
- Está com nojo de mim, João?
-Não senhora, dona Jia!
Conversaram e a Jia disse:
- Amanhã é o dia que você deve comparecer na casa de seus pais.
Encontrará um cavalo selado junto da porta.
Na manhã seguinte, João mudou a roupa, almoçou e viu um cavalo selado que não tinha lugar para mais enfeites ricos. Montou-se e ia dando de rédeas quando a Jia apareceu, capengando:
- Espere aí, João. Leve esta lembrança para sua mãe.
Deu um saquinho, muito sujo, encardido, amarrado por um cordão imundo. O rapaz guardou o troço no bolso e galopou para casa. Antes de o sol se pôr avistou a casa e apeou-se no alpendre, onde seus pais e irmãos conversavam.
Jantaram muito satisfeitos e depois José e Pedro entregaram os presentes que traziam, roupa, calçado, chapéus, dinheiro. Os velhos agradeceram. - E você, João, que me trouxe da viagem?
João entregou o saquinho de nada. Os irmãos riram como uns perdidos, mangando do tamanho do presente. A velha, recebendo o saquinho, sacudiu-o para fazer cair o que estivesse dentro. Quase não acabava de sair moedas de ouro, brilhantes, pedras preciosas, tudo de muito. Os velhos ficaram assombrados. E disseram, dançando:
José vai casar bem, E Pedro casa melhor, Mas João...
Passa-lhe a mão!