Data da leitura: Agosto de 2024
quando chegou não disse cousa nenhuma de mal, elogiando tudo quanto vira, especialmente a bondade da princesa.
A princesa mandou buscar a mais nova e cobriu-a de presentes, vestidos e preparos ricos, dando-lhe um quarto pegado ao seu. Contou que tivera necessidade de arranjar uma amiga fiel e que soubesse guardar segredo e não mexericar, e a única maneira fora aquela de dar pedaços de fígado de galinha. Contou ainda que tivera a sina de virar serpente e que gostava muito de um rapaz, não casando porque não tinha quem a substituísse na alcova e lhe merecesse confiança.
Ficou tudo combinado. A princesa ia casar e deixaria a moça no seu quarto. A moça era parecidíssima com ela. Assim que acabasse a cerimônia a princesa corria para o quarto e a moça vestiria o vestido de noiva e a outra, já virada em serpente, ia cumprir sua sina durante um ano. O resto confiava no coração da amiga.
Assim sucedeu direitinho. O noivo, quando a moça lhe apareceu já vestida com os trajes próprios, ficou convencido de que se tratava realmente da princesa, quando esta, coitada, corria os campos, virada numa serpente preta.
Houve festa e quando se agasalharam, a moça pegou na mão do noivo e disse que fizera uma promessa ao Jesus Crucificado para não ter vida comum com o marido durante um ano, dormindo no mesmo quarto mas em camas separadas. Abriu um gavetão da cômoda e mostrou um vulto do Crucifixo, que assistiria o cumprimento da promessa. O noivo conformou- se com a situação por tratar-se de promessa.
Passaram-se todos os meses até o dia em que a princesa devia desencantar.
Nessa tarde, num local bem escondido, a moça levou três bacias, uma com leite, uma com água da fonte e outra com perfume. A serpente chegou, comprida, e foi se metendo na bacia de leite e se enrolando, se enrolando. Saltou de dentro a princesa tal qual era antes de cumprir a sina. Lavou-se na