Data da leitura: Agosto de 2024
-Não é nada, minha filha. Jante e vamos conversar.
A Lua jantou e sossegou. A mãe perguntou:
- Minha filha, se por aqui chegasse uma peregrina, cansada e triste, que faria você?
-Eu, minha mãe? Tratá-la-ia bem...
A moça saiu de trás do fogão e a Lua recebeu-a bem, ouvindo-a contar sua história. Depois disse:
- Queria ajudar mas não sei onde fica o reinado do Veado de Plumas. Quem deve saber é minha madrinha, a Noite.
Sucedeu na casa da Noite o mesmo que houvera na casa da Lua. A Noite ignorava o reinado do Veado de Plumas e indicou a casa do Sol.
A princesinha seguiu seu caminho. O Sol, aquietado por sua mãe, conversou com a moça, mas desenganou-a quanto ao itinerário. - Não sei. Quem deve saber são os Ventos.
Lá se foi a princesinha para a casa dos Ventos. A mãe dos Ventos alimentou-a, escondeu-a e aplacou a fúria dos filhos que chegaram uivando como uns desesperados. Depois do jantar, puseram-se às boas e entraram na conversa. O Vento Norte não sabia, nem o Vento Sul. O Vento Oeste já ouvira falar. O Vento Leste ficou importante:
– Sei onde é. Fica longe. É um reinado bonito, governado por um veado vestido de plumas muito alvas e brilhantes. Eu a levo amanhã.
Pela madrugada a mãe dos Ventos acordou a princesinha e lhe disse: - Minha filha, quando você chegar lá, esconda-se na mata da lagoa do meio. Tem duas pedras de prata numa margem e aí todos os bichos encantados vêm beber água, diariamente. Fique de jeito que, assim que o Veado de Plumas baixar a cabeça n'água, pule em cima, agarre-se nele e não se solte, haja o que houver. Deus a leve...
O Vento do Nascente arrebatou a moça e voou quase todo o dia. Ao tombar da noite deixou-a num caminho, perto da floresta. A moça viu a lagoa. Correu para lá e escondeu-se junto das duas pedras de prata.