Data da leitura: Agosto de 2024
palma do pé, tirou-o de cima e o grão de milho disse: ai de mim, uma raposa! apareceu uma raposa que imediatamente comeu o galo num bocado. A raposa desencantou-se no rapaz que casou com a princesa e nunca mais quis saber das sabedorias e mágicas que aprendera com o livro do Diabo.
Clotilde Caridade Gomes, Natal, Rio G. do Norte.
Nota - Teófilo Braga dá três versões dessa história no seu Contos Tradicionais, 9°, "O Mágico”, Algarve, 10°, "O mestre das artes", ilha de S. Miguel, e 11°, "O aprendiz do Mago", Eixo, distrito de Aveiro. A variante brasileira mais se aproxima da versão açoriana de S. Miguel. Alfredo Apell divulgou ("Contos Populares Russos") a versão eslava de Afanasiev, "A ciência manhosa", X, reunindo as variantes mais conhecidas. Assim, com pequeninas diferenças, é o tema russo de Afanasiev, o grego de Hahn, o alemão dos irmãos Grimm, um português de Ourilhe (Celorico de Bastos), coligido por Adolfo Coelho (n° XV), havendo o encadeamento das transformações em todos, o agressor finda devorado. Apell cita ainda o "Pantchatantra", edição de Benfey, onde há um conto mongol semelhante. Nas "Mil e Uma Noites" há o episódio da filha do rei das Índias e sua luta com um demônio, usando as metamorfoses do conto. Braga cita a Notte VIII, fábula de Straparola ("Notte Piaccevoli") com o motivo idêntico. É o Mt. 325 de Aarne-Thompson, The Magician and his Pupil, cujos elementos, múltiplos, enquadram-se nas diversas formas com que o mesmo é apresentado. A versão brasileira de Silvio Romero é "O passaro preto", bem diversa da que ouvi. Folclore Brasileiro-Contos Populares do Brasil, 46/48. Belo Horizonte, 1985.