Finalmente a SGM ganha uma antologia em língua portuguesa reunindo seus maiores poetas/poemas. Busquei coligir para esta seleta apenas poemas de autores contemporâneos ao conflito, e de países diretam
Mas, assim como agora a estrada se abre limpa Ao intranquilo e peregrino espírito
Entre dois mundos que chegaram a parecer Demasiado iguais, assim descubro agora Palavras que jamais pensei dizer
Quando meu corpo abandonei sobre uma praia. Posto que nosso fim era a linguagem, E a linguagem desde sempre nos levara A purificar o dialeto da tribo
E a instigar a mente para a antevisão
E a pós-visão, deixa-me revelar as dádivas À velhice reservadas, para que seja Coroado o esforço de tua vida inteira. Primeiro, o enregelado atrito dos sentidos Que expiram sem magia e nada prometer, Senão a amarga insipidez de um fruto umbroso Quando alma e corpo, espedaçados, principiam A tombar cada qual para o seu lado. Segundo, a lúcida impotência do ódio Ante a loucura humana, e a laceração do riso Perante aquilo que cessou de divertir-nos. Enfim, a lacerante dor de reviver
O que já concluíste, e o que foste; a vergonha De motivos tarde apenas revelados
E a consciência de todas as coisas mal feitas Ou feitas simplesmente em prejuízo alheio Que antes tomaste por virtuosas práticas. Nesse momento é que se arranca o aplauso Dos tolos, e a honra se macula.
Erro após erro, o exasperado espírito Prosseguirá, se revigorado não for Por este fogo purificador
Onde mover-te deves como um bailarino." Raiava o dia. Na desfigurada rua
Ele deixou-me, com uma esquiva despedida, E evaporou-se ao brônzeo som das trompas.