Leitura para o Encontro II Literatura em Tela do mês de junho.
seus livros autografados por Graciliano Ramos, e paral dizer a Cecília que Angústia era muito mais triste.
Aquela era uma mulher comportada, do jeito que Antenor queria. Uma mulher dedicada à casa e às crianças, e que agora se deitava na mesma hora que ele, e não se levantava mais cedo para se entreter com a máquina de costura. Uma mulher que permanecia calada ao seu lado enquanto ele assistia à TV, e que lhe oferecia a testa olhando ligeiramente para baixo, quando ele saía ou chegava do trabalho. Era tudo o que Antenor sempre quis.
Sim, era tudo o que ele sempre quis.
Será?
Não, não era. Ele não queria uma Eurídice assim. Vendo a mulher num contínuo estado de tanto faz Antenor entendeu que aquilo que achava que queria talvez não fosse aquilo que achava que queria. Mas então o que ele queria? Tentou encontrar a resposta numa noite de insônia. Mas insônias não combinavam com o expediente do banco, por isso deixou de se perguntar. Antenor não sabia o que queria, mas sabia que não queria saber. O que sabia é que pela primeira vez no casamento havia um problema maior do que o incidente da noite de núpcias.
Apesar de tudo, ou apesar do nada que a vida de Eurídice se tornou, Antenor era, de fato, um bom marido. Filho de um funcionário público com uma poeta que nunca publicou um livro, Antenor cresceu numa casa de poucas refeições e muita sujeira. A única coisa estruturada naquela família eram os dísticos e tercetos recitados pela mãe. O beijo que é glória e tormento, a alma que subiu ao firmamento, as juras e carícias de um blasfemo. O coração que sofre exasperado, o afeto que é simples e sagrado, o homem que precisa ser amado e ter