Data da leitura: Setembro e Outubro de 2024
a moça mantinha a mão voltada para baixo, que não se visse a palma quase desguarnecida encostada na saia. Vergonha seria ajudar a mãe a desmontar a tenda com mão limpa.
E naquela manhã, um apresentou-se que não havia estado entre os jovens, nem era companhia dos mais velhos. Havia chegado tarde ao encontro, com seu cavalo, sua carroça e seu sorriso. Já quase em tempo de retomar o caminho da volta. Mas os cabelos eram longos, finos os dedos.
O tempo de que dispunha era pouco, e ainda assim sentou-se no tapete do pai, pois para isso havia vindo. Ela esperava fora da tenda. Por uma fresta viu quando, feito o pedido, ele tirou uma flauta da manga e começou a tocar. As notas escaparam através do tecido da tenda. Os velhos voltaram a cabeça na sua direção, os jovens pararam o que estavam fazendo, as moças sentiram amaciar-se a cintura. Debaixo das pedras, as últimas flores do verão ergueram as corolas. Como um vento, a música dava asas aos painéis da tenda.
O sorriso percorreu o corpo da moça, pareceu vibrar na palma da mão. Ela olhou. Entrelaçadas com as linhas do destino, uma a uma ressurgiam as pétalas, brotava fresco o crisântemo. Não fechou os dedos. Manteve a mão erguida e aberta, para oferecer a floração quando ele saísse para buscá-la.