Back
Flip
Vertical
Horizontal
All Pages
1 / 236
Mailing List
Rip
Share
Fullscreen
Sa
Arts

Breve Antologia da Poesia Cristã Universal

By Sammis Reachers

Breve Antologia da Poesia Cristã Universal - As 235 páginas deste livro congregam textos de 110 autores, nomes capitais de suas literaturas nacionais. Pode-se dizer, grosso modo, que este livro inicia

Go to stand
Share link
https://covver.com/magazine/sammisreachers/breve-antologia-da-poesia-crista-universal-kUcFmddst3WPHli8m0Jm
Published
Oct 12, 2025
Pages
236
Language
English

More in this magazine

  • Breve antologia da Poesia Cristã UniversalOrganização de Sammis Reachers Do mesmo organizador da Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa
  • Breve Antologia da Poesia Cristã Universal- Autores não-lusófonos - LIVRO GRATUITO
  • Page 3"Porque Deus amou o mundo de tal maneira, que deu seu único Filho para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." João 3:16
  • APRESENTAÇÃOGregório de Nazianzo (o Teólogo) Tu estás para lá de tudo.............. Só por breve tempo...
  • Juan de TassisAos Presságios do Dia do Juízo Pedro Soto de Rojas
  • Eduard MörikeA um Quadro Antigo........ Prece........
  • MelissanthiO Caminho de Volta.......... Czeslaw Milosz
  • ApresentaçãoDe uma maneira geral, a primeira coisa que se faz, ao iniciar-se a compilação de material para uma determinada antologia poética de textos não-inéditos - antes de afinar-se a busca, 'descendo' aos livros individuais, revistas e periódicos, sites e blogs - é consultar outras antologias, sejam estas no mesmo tema com que se está a trabalhar (caso existam precursoras), seja em tema aproximado, ou de valia para o fim proposto. E como organizador de antologias, confesso que já as li às dezenas, e sempre deparei-me com uma fiel constante: toda antologia principia, já em sua apresentação, com um pedido de desculpas. E estas versam quase sempre sobre as inolvidáveis lacunas, as renitentes omissões que toda antologia apresenta. Agora tente o leitor imaginar a situação de antologia como esta que você tem diante de si: de temática específica (a poesia cristã), e com o agravante de coligir apenas textos de autores estrangeiros, não-lusófonos (cabe lembrar que em 2008 trouxemos a lume a Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, reunindo textos de 80 autores de Portugal, Brasil e África). E abarcando desde os primórdios da Poesia Cristã até os dias de hoje: mais de dezoito séculos de produção poética... Então, conforme a tradição e por necessidade, rogo desde já aos leitores perdão pelas muitas omissões que esta obra porventura apresente.
  • Page 9de Oro espanhol, com os metafisicos ingleses, e na poesia cristã francesa do século XX. As lacunas são muitas, como a da Messíada ou O Messias de Klopstock, epopeia cristã da qual não foi-nos possível encontrar a tradução (ou sequer trecho) em português, e outros poemas cristãos de fama, mas que infelizmente não se encontram traduzidos para o vernáculo.
  • Page 10respeitar as grafias originais dos textos, salvo no texto da Jerusalém Libertada, cuja tradução de que nos valemos, de 1859, precisou ser em alguns momentos atualizada, a não ser em casos em que se comprometeria a rima. Ao proceder à leitura, você talvez diga que este livro bem que merecia uma edição impressa - sim, concordo com você, leitor, e com meus amigos que tomaram conhecimento deste projeto - mas merece ainda mais ser compartilhado com quantos for possível, da melhor, mais simples e mais rápida maneira possível, como a própria Boa-Nova de Cristo deve ser compartilhada. E assim o faço, publicando este livro gratuitamente na internet, pois acredito piamente em algo: conhecimento é conhecimento compartilhado. O mais é egoísmo e cabala. Depois pode-se tentar ou não uma edição impressa, para contemplar aqueles ainda muitos que não têm acesso, entendimento ou mesmo prazer em ler em computadores e dispositivos móveis. Mas o principal está feito, o livro está publicado, e espero que uma pequena, mas antiga e significativa lacuna em nossa bibliografia, seja no tocante especificamente à literatura cristã, mas também e de uma maneira ampla para todo o estudo da literatura em si, seja em parte sanada com esta humilde obra, de infelizmente tão poucos paralelos. E que ela possa vir a inspirar autor mais capacitado a encetar obra mais prolífica e abrangente, para enriquecimento da literatura cristã em nossa língua, pois como se diz no livro de Josué 13:1, "...e ainda muita terra ficou por ser conquistada", e os dois mil anos de cristianismo trouxeram a lume muito, mas muito mais tesouros do que estas singulares joias que vão aqui coligidas.
  • Gregório de Nazianzo (o Teólogo) (Capadócia [atual Turquia] 329–389)Tu estás para lá de tudo Tradução de José Tolentino Mendonça
  • Page 12Que intelecto, filho do céu, penetrará aqueles véus que se estendem acima das nuvens? Sê bendito para lá de tudo. Outra coisa sobre Ti poderá dizer o canto? 12 }
  • VIII: 7Tradução de José Paulo Paes Só por breve tempo respiraste sobre a terra, mas tudo que tinhas deste a Cristo, alma, corpo, verbo, mãos, tu, Basílio, alta glória de Cristo, viga mestra do clero e da verdade, tão dividida hoje por cismas.
  • Aurélio Prudêncio (Espanha 348-410)Eterno Criador do Universo Segundo a Liturgia das Horas Eterno Criador do Universo, Tu que reges a noite mais o dia E que os tempos alternas com os tempos A fim de não haver monotonia.
  • Page 15Sustém-nos com a força dos teus olhos, E redime com a tua vigilância, A culpa que no pranto se dissolve. Refulgente aos sentidos, és a luz Que vens da mente o sono dissipar-nos. Por Ti ressoa sempre a nossa voz, Por Ti soltam-se enfim os nossos lábios.
  • Agostinho de Hipona(Argélia 354-430) As Confissões, Livro X, 27-38
  • Ávito (Aventino) (França 450 - 525)O Lamento de Satã Tradução de Maria Jorge Vilar de Figueiredo
  • Agatias Escolástico (Misia [atual Turquia] 536-594)Traduções de José Paulo Paes I.38
  • Gregório de Narek (Armênia 944-1010)"Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Jl 3,5; Rm 10,13). Quanto a mim, não apenas O invoco mas, antes de tudo, creio na Sua grandeza. Não é pelos Seus presentes que persevero nas minhas súplicas: é que Ele é a Vida verdadeira e n'Ele respiro;
  • Page 20e que, conquanto justamente mereça ser proscrito, herdarei o Céu. 20 }
  • Page 21"A fim de serdes verdadeiramente filhos do vosso Pai [...], pois Ele faz brilhar o sol sobre os pecadores e sobre os justos" Numerosas são as minhas ofensas e ultrapassam toda a conta, Mas nem por isso tão espantosas como a tua misericórdia. Múltiplos os meus pecados, Mas que sempre diminutos, comparados com o teu perdão. [...]
  • Francisco de Assis(Itália 1182-1226) Oração
  • O Cântico das Criaturas ou Cântico do Irmão SolAltíssimo, onipotente e bom Deus, Teus são o louvor, a glória, a honra e toda benção. Só a Ti, Altíssimo, são devidos, e homem algum é digno de Te mencionar.
  • Page 24pelo qual iluminas a noite, e ele é belo e jucundo e vigoroso e forte. Louvado sejas meu Senhor, pela nossa irmã a mãe Terra, que nos sustenta e nos governa, e produz frutos diversos, e coloridas flores e ervas.
  • Gertrudes de Helfta(Alemanha 1256 - 1301) Tradução de José Tolentino Mendonça
  • Dante Alighieri (Itália 1265-1321)A Divina Comédia - Inferno -
  • Page 27Todo ignóbil sentir seja proscrito. "Eis a estância, que eu disse, às dores feita, Onde hás de ver atormentada gente, Que da razão à perda está sujeita".
  • Page 28"Que dor tão viva deles se apodera, Que aos carpidos motivo dá tão forte?"- "Serei breve em dizer-to" -me assevera. "Não lhes é dado nunca esperar morte; É tão vil seu viver nessa desgraça, Que invejam de outros toda e qualquer sorte.
  • Page 29"Mestre, declara, aos rogos me anuindo, "Que turba é essa" - eu disse “e qual costume Tanto a passar a torna pressurosa, Se bem discirno ao duvidoso lume?". Tornou-me: - - "Explicação minuciosa Darei, quando tivermos atingido Do Aqueronte a ribeira temerosa".
  • As desnudadas almas dolorosoO gesto descorou; dentes rangeram Logo em lhe ouvindo o vozear raivoso. Blasfemaram de Deus e maldisseram
  • Page 31Notas Patente a causa está, que tanto o irrita".
  • A Divina Comédia- Paraíso - Canto VII
  • Page 33Com sorriso, que a mente me ilumina E aditara entre as chamas começava: - "Como bem vejo, dúvida domina A tua alma: a vingança, que foi justa, Punição teve, da justiça di'na?
  • Page 34"Contrastes, pois, de um ato hão procedido: Folgam Judeus da morte a Deus jucunda, Foi ledo o céu e o mundo espavorido. “E não te mova sensação profunda Ouvir que uma vingança, que foi justa, Vingada ser devia por segunda.
  • Page 35Que o santo Amor que em toda cousa brilha, Mais vivo é no que encerra esta excelência. "Aos homens de tais bens cabe a partilha: De tais predicados se um falece, Sua nobreza já decai, se humilha.
  • Page 36"Dizes: "E, pois há sido do divino agrado, Por clemência ou justiça e ambas juntando, Ser ele à vida eterna aparelhado.
  • Page 37Notas Os anjos e dos céus o que há no espaço, Inteiros, puros sempre quais nasceram.
  • Francesco Petrarca(Itália 1304-1374) Soneto VIII
  • John Lydgate (Inglaterra 1370 - 1449)O Testamento (vv. 754-865)
  • Michelangelo Buonarroti (Itália 1475-1564)A Deus Tradução de Ivo Barroso
  • Martinho Lutero(Alemanha 1483-1546) Tradução de José Tolentino Mendonça
  • Vittoria Collona(Itália 1490-1547) Soneto
  • Teresa de Ávila ou Teresa de Jesus(Espanha 1515 - 1582) NADA TE PERTURBE
  • Page 44Sem a paciência. Confiança e fé viva Mantenha a alma, Que quem crê e espera Tudo alcança.
  • Page 45VERSOS NASCIDOS DO FOGO DO AMOR DE DEUS QUE TINHA EM SI Tradução de Anderson Braga Horta
  • Page 46assegura-me a esperança: morte em que o viver se alcança, bem cedo te quero ver, que morro de não morrer. Olha quanto o amor é forte; vida, não sejas molesta; vê que em te perderes resta de te ganhares a sorte; venha já a doce morte, venha-me a morte a correr, que morro de não morrer.
  • Pierre de Ronsard (França 1524-1585)Cumpre Deixar Mansão... Tradução de Cláudio Veiga
  • Frei Luis de León (Espanha 1527-1591)XIII. Da Vida do Céu Traduções de Luiz Antônio de Figueiredo
  • Page 49Que sonora harmonia vai invadindo as almas com doçura! Primeiro em calmaria, depois arde, perdura e distribui acordes em fartura. Com esse canto acalma! Quem dera uma parcela ao meu ouvido! Fora de si, minh'alma negaria o vivido para viver no Amor pré-concebido!
  • XV. A Dom Pedro PortocarreroNem sempre é vencedora a maldade, e a inveja tão ferina às vezes não vigora; se a força desgarrada mais empina, no fim a fronte inclina, e se maior o salto, maior o tombo, a vida em sobressalto.
  • Page 51esbarram na bondade: o refinado ouro no crisol recupera seu tesouro.
  • Baltazar de Alcázar (Espanha 1530 - 1606)Cansado Estou Tradução de José Bento
  • Francisco de Aldana(Espanha 1540-1578) Senhor que Além do Estrelado Cume
  • João da Cruz(Espanha 1542 - 1591) Noite Escura
  • Page 55Quedou-se adormecido, E eu, terna, o regalava, E dos cedros o leque o refrescava. Da ameia a brisa amena, Quando eu os seus cabelos afagava, Com sua mão serena
  • Page 56sei CANTAR DA ALMA QUE GOZA POR CONHECER A DEUS PELA FÉ
  • Page 57Aquela viva fonte que desejo, neste pão de vida já a vejo, mesmo de noite. 57)
  • Chama viva de amorOh! Chama de amor viva que ternamente feres De minha alma no mais profundo centro! Pois não és mais esquiva, Acaba já, se queres, Ah! Rompe a tela deste doce encontro.
  • Page 59A famosa Etiópia já regia, E inda terá o governo Fortunado, Senapo, que do filho de Maria Co'o povo negro a lei firme há observado;
  • Page 60Arde o marido, e ao fogo dos amores Bem do ciúme o gelo se igualava, E, pouco a pouco, a força dos ardores No tormentoso peito se aumentava; Dos homens a ocultavam seus furores, E inda ao Céu encobri-la procurava; Mas faz nela a humildade, que se aceite Quanto o seu senhor quer como deleita. De uma devota historia, com famosa Pintura, a régia estância era adornada; Virgem branca de cara, em cor de rosa, Junto a um dragão feroz se via atada; Com a hasta ao monstro um cavaleiro a irosa Garganta lhe deixava ensanguentada.
  • Page 61Que bem longe a criar te conduzisse. Quem contará os abraços, que repete, E as últimas ternuras, que te disse? Nas vozes os soluços intromete, Impedindo que a queixa prosseguisse. Os olhos ergue, e diz: Oh! Deus, que atendes Aos secretos, que só do peito entendes!
  • Page 62Cabeça os olhos volve, e a ti te atende: Mansuefesse, e adoçou a acerba Vista, e com ato plácido se rende; E tarda a ti se chega, tão propícia, Que, rindo, lhe festejas a carícia. Brincando, ao pêlo horrível e difuso A pequenina mão segura estendes, Ela as mamas te oferece, e, como é uso Das amas, se acomoda, e tu lhe prendes. Entanto eu vejo, tímido e confuso, O alto prodígio, que tu mal entendes; E, em fim, já satisfeita, sobre a relva Te deixou do seu leite, e parte à selva.
  • Page 63Deixar não quero, e temo o risco ímpio; Deito-me a nado, onde uma mão violenta As ondas rompe, a outra te sustenta. Rapidíssimo é o curso, e arrebatada No meio a onda, se redobra e gira; Mas junto, aonde mais volve alteada, Em cerco me retorce, e ao baixo tira. Larguei-te então; mas logo és levantada Da água, e, conforme à água, o vento espira, E te expõe salva sobre a branda areia, E o meu cansaço em ti se lisonjeia.
  • Page 64Que te hei seguido entre a guerreira gente. Ontem pois, já na aurora, a mente opressa Do sono intenso, que retrata a morte, Em sonhos me aparece a imagem expressa; E em mais irada vista, em som mais forte, Eis, me disse, traidor, a hora se apressa, Em que mude Clorinda vida e sorte; Minha será, apesar dos teus vagares. Disse; e com voo ligeiro rompe os ares.
  • Page 65Noturnos vão, com passos diligentes, Por lhano e levantado sempre unidos E assim à maquina grande os dois valentes Foram de um mesmo impulso conduzidos; E, em fúria igual, nos corações ferventes Não cabem os espíritos reprimidos. Tanto no fogo e sangue a ira os empenha! A guarda grita, e lhe pergunta a senha. Eles avante passam; mas a guarda
  • Grita o circasso: Eu vou matar o fogoCo' o vosso sangue. E a eles volta a fronte. Mas por dar a Clorinda desafogo, Cede e retira o passo para o monte. Cresce mais que uma torrente em gran'chuveiro
  • Page 67Só de Tancredo, a ela então chegado, Foi conhecida a autora do gran' feito. Que desde o ponto, que a Arimon ferira, A vira, a assinalara, e a seguira. Quer nas armas prova-la, e homem a estima, Digno que ao seu valor possa igualar-se; E ela, girando pelo monte acima, Por outra porta pretendeu salvar-se. Ele a segui-la intrépido se anima; E, ouvindo o som das armas já chegar-se, Voltada, assim lhe disse: Ó campeão forte, Que procuras? Responde: guerra e morte!
  • Page 68Firmes os pés, e as mãos em movimento, Nem se dá golpe em vão, nem ponta ao vento. A afronta irrita as iras à vingança, E na vingança a afronta se renova, Com que sempre ao ferir um e outro alcança, Para novo furor, matéria nova;
  • Page 69Ao contrario que o rosto descobrisse. Bem: é nossa desgraça que se empregue Tanto valor, d'onde o silencio o cubra; Mas pois quer a fortuna que se negue Louvor e testemunho que o descubra, Se é que o rogo entre as armas se consegue, O teu estado e nome não se encubra, Por que vencedor saiba, ou já vencido, De quem vitória ou morte hei conseguido.
  • Page 70Mas a hora fatal já se chegava, Que a vida de Clorinda ao seu fim deve, E ele o peito gentil lhe trespassava Aonde ávido o ferro o sangue beve; E o luzente vestido, que apertava Os tenros peitos, e a cintura breve, Lhe encheu tépido humor; e ela já sente Que morre, e os pés lhe faltam tristemente. Ele segue a vitória, e à trespassada Dama, furioso, inda ameaçando, oprime. E ela, enquanto caía, a voz turbada Movendo, as razões últimas exprime. Voz, que de novo espírito ditada, Fé, esperança e caridade imprime: Virtudes, com que Deus lhe dera em sorte, Rebelde a vida, e obediente a morte.
  • Page 71Reprime a pena, e intenta dar-lhe a vida Com água, pois com ferro lha tirara. E a sacra voz apenas proferida, Sentiu, que em riso e gozo se banhara; E, mostrando morrer alegremente, Disse: O Céu se abre, amigo, e eu vou contente. A cara branca, em palidez formosa De lírios e violas se mistura, Ela os olhos levanta, e à ação piedosa O Céu e o sol assistem com ternura. A mão, já fria e nua, temerosa, Porque as vozes lhe embarga a pena dura, Ao Cavaleiro dá; e assim conforme, Acabou de espirar, como quem dorme.
  • Miguel de Cervantes (Espanha 1547-1616)Pra Ti me Volto, Alto Senhor Tradução de José Bento
  • Agrippa d'Aubigné (França 1552 - 1630)A Flora do Martírio Tradução de Cláudio Veiga
  • Balassi Bálint(Hungria 1554 - 1594) Uma Prece. Nova
  • François Malherbe (França 1555–1628)Parafrase do Salmo CXLV Tradução de Cláudio Veiga
  • Luis de Góngora (Espanha 1561 - 1627)Ovelha Perdida Tradução de José Bento
  • Lope de Vega (Espanha 1562 - 1635)Solilóquio Primeiro Tradução de José Bento
  • Page 78porque o prazer eu senti que em vossos braços achei. E é que nunca permitais que outra vida sem vós tenha: pois não é bem que a viver venha vida onde vós não estejais. Ai Jesus! Como vivi um só momento sem vós? Pois se a vida é Deus em nós, que vida restava em mim? Que coisas tive por vida tão miseráveis e tristes! Como é que vós conseguistes suportá-la tão perdida? Contudo, meu Deus, sustento que foi permitido assim para que se visse em mim quanto em vós há sofrimento. Mas vós não o haveis perdido, oh soberana piedade!, conheço minha maldade plo que me haveis consentido. Porque sei do meu errar como se eu Deus não tivera: que quem menos que Deus era não me pod'ria aguentar. Quantas vezes vos neguei ao dizer minha loucura à fingida formosura onde não há fé nem lei!
  • Page 79Mas por vós ameaçado creio que não vos temi, e cheio de sangue, sim. Que é isto, Deus adorado? Oh, mas que divinas cores o sangue frio vos faz! Vida minha, como estás para falar-vos de amores! Porém, já que me provoco ao ver-vos com uma tal dor, falei-vos muito, Senhor; deixai-me chorar um pouco. (79)
  • Temores no AmparoTradução de José Bento Se, eterno Rei, em minhas mãos vos miro quando a mais pura vítima levanto, por tão ousado e indigno ser me espanto, a compaixão do vosso peito admiro. Minha alma às vezes com temor retiro, às vezes dou-a ao amoroso pranto; e arrependido de ofender-vos tanto, com ânsias temo e a sofrer suspiro. Vossos olhos nos meus os tornem sãos, que nas sendas de meu erro precitas me despenharam pensamentos vãos; não sejam tantas as nossas desditas que a quem vos teve nas indignas mãos o desprendais de vossas mãos benditas.
  • John Donne(Inglaterra 1572 - 1631) IV
  • Tradução de Aila de Oliveira GomesTu me fizeste, e tua obra se desfaz? Então repara-me, porque meu fim se apressa, Vou rumo à morte, que de buscar-me não cessa; Já é de ontem todo o meu prazer falaz. Não sei para onde voltar os olhos neste instante De terror; da minha carne, em extrema fraqueza, Por suas próprias culpas, o inferno faz sua presa; E eu vejo o desespero atrás e a morte adiante. Só tu pairas no alto, e meu ser só consegue Erguer-se, se, por Graça, a ti dirijo o olhar; Mas nem uma hora assim posso mais sustentar, Pois teu velho, hábil inimigo me persegue. Contra ele, dá-me asas; e, qual ímã, então, Atrai a ti o ferro do meu coração. 82}
  • Hino a Deus, meu Deus, em minha doençaTradução de Aila de Oliveira Gomes No que me aproximo do aposento sagrado, Aonde para sempre, no coro angelical, Eu serei tua Música; no que me translado, Afino meu instrumento já aqui no portal, E vou treinando pro meu futuro coral.
  • Page 84P'ra nos elevar o Senhor nos joga ao chão. (84)
  • Francisco de Quevedo(Espanha 1580 - 1645) Salmo XXVIII do Heráclito cristão
  • Page 86Na morte de Cristo contra a dureza do coração do homem Porque derrama noite o sentimento por todo o cerco dessa chama pura, e amortecido o sol em sombra escura dá lágrimas ao fogo e voz ao vento;
  • Francisco López de Zárate (Espanha 1580 - 1658)Pedindo Perdão a Deus pelos Erros Cometidos Tradução de José Bento
  • Juan de Tassis(Espanha 1582 - 1622) Aos Presságios do Dia do Juízo
  • Pedro Soto de Rojas (Espanha 1584 - 1658)Palavras Ternas Tradução de José Bento
  • Dirk Rafaelsz Camphuysen (Holanda 1586 - 1627)Paz Tradução de Manuel Bandeira
  • George Herbert (Inglaterra 1593-1633)O Altar Tradução de Aíla de Oliveira Gomes
  • A AgoniaTradução de Aila de Oliveira Gomes Homens de ciência já têm medido montes Sondado a fundo mares, reinos e reis; Perscrutam o céu, medindo-o; rastreiam fontes. Mas duas coisas há bem mais vastas, e eis Que melhor estas convinham a um medidor - Poucos as sondam: são o pecado e o amor.
  • PáscoaTradução de Ruy Vasconcelos Acorda ser; teu Senhor acordou. Canta em louvor A teu Senhor, Que te traz à mão, para te ensinar Junto a Ele acordar:
  • Page 94Contamos trezentos, mas engano: Como este há um só, e seu único brilho. 4)
  • Francis Quarles (Inglaterra 1594 - 1644)Zaqueu Tradução de Aila de Oliveira Gomes
  • Autor espanhol desconhecido (Espanha 1600?)A Cristo crucificado Tradução de Manuel Bandeira
  • Calderón de la Barca (Espanha 1600 – 1681)A Primeira Pedra Tradução de Honório Armond
  • Page 98a acusação justiceira: "Não a acolhas, ó Rabi, por mais que te implore e clame! uma adúltera! uma infame! há de morrer hoje aqui!" "É justo!" disse, calmando a tempestade a bramar... "Dai-lhe o castigo exemplar desse seu crime nefando. Castigai-a! A Lei o quer. Não serei quem tal não queira! Quem sem pecado estiver atire a pedra primeira á fronte desta mulher...". Não se levanta um só braço... todo o povo baixa o olhar... e, no chão, de espaço a espaço, as pedras vão de rolar... Disse então Jesus:
  • Gabriel Bocángel (Espanha 1603 - 1658)À Conversão de um Pecador Tradução de José Bento
  • Pierre Corneille (França 1606–1684)A Ciência Principal Tradução de Cláudio Veiga
  • Paul Gerhardt (Alemanha 1607 – 1676)A Santa Face Tradução de Herculano de Carvalho
  • John Milton(Inglaterra 1608 – 1674) Paraíso Perdido Canto XII (trecho)
  • Page 103É Na indagação de proibidas coisas. Contudo, não entendo por que a gentes, Com quem na terra Deus morar se digna, São dadas tantas leis e tão diversas: Muitas leis é sinal de muitos crimes;
  • Page 104Para a atenção filial que o amor inspira; E das obras da lei, feitas por força, Para obras a que a fé persuade e guia. Muito de Deus será Moisés amado; Mas, da lei sendo só simples ministro, Não levará a Canaã seu povo. Tal regalia gozará Josué, Que Jesus os gentílicos nomeiam, Havendo ele tomado o cargo e o nome Do que há de suplantar a hostil serpente; E, reduzindo ao bom caminho os homens Do Mundo no deserto vagabundos, Há de salvá-los no descanso empíreo. Na prometida terra colocados Por longo tempo morarão felizes; Mas, quando pelos nacionais pecados For a pública paz interrompida, Inimigos o Eterno induz contra eles. Contudo, vendo a penitência sua, Protege-os, salva-os dando-lhes juízes E logo reis que próvidos os mandem. Grande em piedade, grande em valentia, O rei segundo alcançará promessa De que seu trono real durará sempre; Hão de cantar as profecias todas Que um filho nascerá da régia estirpe De David (este o nome do monarca): Hão de todos crer nele os povos do Orbe, E Prole da Mulher hão de chamar-lhe: Profetizado a ti, também tal dita Tem Abraão, que reconhece nele O redentor das gentes inegável; Profetizado aos reis, que em série longa O devem preceder, o último deles Será, por ser eterno o seu reinado. O filho de David que ao pai sucede, Em sapiência e riquezas tão distinto, A arca de Deus porá num templo augusto 104
  • Page 105Té 'li oculta em pavilhões errantes. Seguem-se-lhe outros reis: do Mundo os fastos Parte maus, parte bons, hão de escrevê-los; Mas a lista dos maus será mais longa. Hão de estes cometer enormes culpas E entre elas a nefanda idolatria, As quais, somadas coas dos povos, tanto De Deus enfadarão as justas iras Que em abandono os deixará, expondo Seu reino, a corte sua, o excelso templo, A arca divina, os utênsis sagrados, À presa e opróbrio da cidade altiva, Cujos muros e torre presunçosa Tu mesmo viste em confusão deixados, Por isso de Babel tomando o nome. Setenta anos em duro cativeiro Hão de ficar ali, que Deus o manda: Recordando depois o pacto e a graça Que jurara a David, tão permanentes Como os dias do Céu, piedoso os livra Dos reis influindo que sair os deixem. Ei-los que da alta Babilônia partem: Edificam de novo o sacro templo, E por um tempo prosperar conseguem Vivendo em mediania moderados. Porém, crescendo em número e riquezas, Fazem-se turbulentos: a discórdia Teve entre as aras a explosão primeira; E esses homens, a Deus e à paz votados, Dão da carnage e da anarquia o exemplo. Desacatando de David a prole, Despojam-na do cetro, e desonrados Em estrangeiras mãos o depositam. Convinha assim, para nascer excluso De seu jus o Messias verdadeiro. Contudo, o nascimento lhe proclama Clara estrela, no Céu não vista nunca, E do Oriente conduz os sábios que instam
  • Page 106Em buscar do grão Rei o pobre albergue, Para com reverência lhe ofertarem De incenso e mirra, e de ouro, amplos tributos. A zagais, que de noite alerta andavam, Um anjo mostra onde recém-nascido Achariam do Mundo o Rei supremo. Ao vê-lo alegres correm, e de um coro De anjos, formado em esquadrão brilhante, Escutam este cântico solene:
  • Page 107Nem que homem vai fazer-se o Filho Eterno Para arruinar melhor o teu contrário. Assim não pode ser Satã vencido: A queda que sofreu da empírea altura Foi o estrago maior que ter podia; Mas não lhe impede que perverso te abra A ferida de morte: o grande Nume, Teu salvador, virá depois fechá-la, Não de Sată destruindo a própria essência Mas sim as obras com que tenha ervado A ti e a toda a descendência tua. Conseguirá seu fim, cumprindo exato De Deus a lei sagrada que infringiste, Dada sob pena de infalível morte, E sofrendo essa morte que lançaste Sobre ti, sobre tua inteira prole, Pela infanda infração que cometeste. Eis o só modo de aplacar do Eterno A tremenda justiça inabalável. A lei se acinge a vítima divina Por obediência e por amor levada; Também só por amor fizera o mesmo. Suportará teu áspero castigo; Há de sacrificar-se generoso A vida desonrada, a morte infame, Dest'arte recobrando a vida a todos Que em sua redenção acreditarem, Não conseguida pelas obras deles (Posto que à lei cingidas se executem), Porém só pelos méritos imensos Da vítima sagrada. Entre mil ódios Tendo vivido, prendem-no ultrajado, Julgam-no por blasfêmias e ignomínias, Sentenciam-no à morte, e em cruz alçada Mesmo os seus próprios nacionais o pregam. Morre ele para dar aos outros vida: Na sua mesma cruz pregar consegue Teus imigos, a lei que te é contrária, 107
  • Page 108Morre Deus, E as culpas todas da progênie humana: Não mais hão de danar assim quem creia Remido ser por este sacrifício. porém vivo eis que ressurge: Sobre ele a morte pouco tempo exerce Usurpado poder: antes que aponte A alva terceira, da manhã os lumes Vê-lo-ão erguer-se da marmórea campa Muito mais belo que a brilhante aurora. Coa morte paga do homem o resgate: Preciosa morte que dá sempre a vida A quem, quando lhe é dada, a não despreza, E abraça tão grandioso benefício
  • Disse, Dispõem-nos para venturosa vidaE para desprezar da morte os golpes, Resignação humilde lhe ofertando, Mesmo aos do Redentor sendo igualados. Hão de assim doutrinar os povos todos. Desde esse dia a salvação pregada Não será de Abraão somente aos filhos, Mas também dele aos que na fé viverem, Seja qual for a terra que habitarem: Serão desta maneira as nações todas Na prole de Abraão abendiçoadas. Ao Céu dos Céus então o Nume-Filho Tem de subir nas asas da vitória, Teu inimigo e o seu vencendo no éter: Nas diáfanas regiões há de encontrar-se Coa Serpente infernal, tirano delas; E ali, mesmo através de seus domínios, Há de envolta em cadeias arrastá-la, Deixando-a logo confundida e inerme. Entra dali pelos umbrais da glória E toma, à destra do Imortal, o assento Que, muito acima dos mais altos tronos, Ocupara desde eras sem quantia. Depois, lá quando no prefixo prazo For dissolvida a máquina do Mundo, Ele irá, de poder e glória cheio, Justiçoso julgar vivos e mortos: As culpas punirá da turba infida E premiará a multidão dos justos, Recebendo-os na dita sempiterna
  • Page 110Maravilhado e cheio de alegria Nosso primeiro pai assim lhe torna: "Ó bondade sem fim, bondade imensa!
  • Page 111Diante deles estava inteiro o Mundo Para a seu gosto habitação tomarem, E tinham por seu guia a Providência. Dando-se as mãos os pais da humana prole, Vagarosos lá vão com passo errante Afastando-se do Éden solitários.
  • Sobre a Recente Chacina no PiemonteTradução de Oswaldino Marques Vinga, ó Senhor! teus santos trucidados, Cujos ossos se dispersam pelos frios montes dos Alpes; Mesmo os que tua lei tão pura outrora conservaram, Quando nossos pais adoravam reses e pedras, Não olvides: em teu livro inscreve os seus lamentos, Dos que eram tuas ovelhas, em seu antigo redil
  • Sobre a sua cegueiraTradução de Jorge de Sena Quando medito em minha luz perdida, Nesta tão vasta e mais sombria terra, E que esse dom que só a Morte cerra Inútil mora em mim, embora a vida
  • Richard Crashaw(Inglaterra 1613 - 1649) Sobre o Corpo de Nosso Santo Senhor, Despido e Ensanguentado
  • Andreas Gryphius (Alemanha 1616 - 1664)Sobre o nascimento de Jesus Tradução de João Barrento
  • Henry Vaughan (Inglaterra 1621 - 1695)Foram-se Eles Todos Para o Mundo da Luz! Tradução de Aila de Oliveira Gomes
  • Page 117Mas como Anjos que em nossos sonhos esplendentes, No que dormimos, a nossa alma incitam, Assim, em nossos gastos temas, transcendentes Pensamentos se infiltram e a glória espreitam. Se acaso uma estrela é em sepulcro confinada, Suas cativas chamas ardem à espera;
  • Page 118Paz Tradução de Cecília Rego Pinheiro
  • Moliére(França 1622-1673) A Morte de Cristo
  • Jean Racine(França 1639-1699) Pranto de um Cristão
  • Edward Taylor(EUA 1642-1729) Trabalhos Domésticos
  • Madame Guyon (França 1648–1717)Um Pássaro na Gaiola 1. Sou um passarinho, sem campos sem ar Na minha gaiola sento-me a cantar Para Quem aqui me aprisionou. Bem satisfeito prisioneiro sou E assim, meu Deus, quero te agradar.
  • John e Charles Wesley (Inglaterra 1703-1791/1707–1788)Tradução de José Tolentino Mendonça Oh se também para à mim se acendesse em labareda o Divino e galgasse os pensamentos
  • Thomas Gray(Inglaterra 1716 - 1771) Elegia Escrita num Cemitério de Aldeia (trecho final)
  • Mathias Claudius (Alemanha 1740 - 1815)Canção Noturna Tradução de Wira Selanski
  • Page 126E de vaidades vis, Para que a criatura, Tal qual criança pura E alegre, torne-se feliz. Dai-nos um dia a sorte De suave e boa morte, Abri-nos vossos céus! E lá, na luz que nasce, Mostrai-nos vossa face, Ó nosso Mestre e nosso Deus!
  • Goethe(Alemanha 1749 - 1832) A Lenda da Ferradura
  • Page 128como se não tivesse ouvido. Curvou-se Cristo com doçura celeste, angélica, humilde; ergueu do chão a ferradura. E quando entraram na cidade vendeu-a em casa de um ferreiro. Comprou cerejas com o dinheiro, guardando-as à sua maneira na manga, à falta de algibeira.
  • Page 129Quem cedo e a tempo ao pouco não se obriga, tarde por muito menos se afadiga. ( 129 )
  • William Blake(Inglaterra 1757-1827) Ver num Grão de Areia um Mundo
  • O CordeiroTradução de José Paulo Paes Cordeirinho, quem te fez? Sabes quem foi que te fez? Quem te deu vida & nutriu Pelo prado & pelo rio? Quem te deu manto de lã Tão alva, macia & louçã? Quem te deu voz tão suave Que alegra todos os vales? Cordeirinho, quem te fez? Sabes quem foi que te fez?
  • Friedrich Holderlin (Alemanha 1770-1843)Patmos (trecho) Tradução de José Paulo Paes
  • Page 133Que dizer disso. E os amigos lhe viram o vitorioso Olhar, o mais alegre, no fim ainda, Porém se entristeceram Ao cair da tarde, pasmos, Esses homens que graves decisões Traziam na alma, mas que sob o sol Amavam viver e não queriam se afastar Do semblante do Senhor Nem da pátria que haviam gravado Em si, como fogo em ferro: ao lado deles, Ia a sombra do Amado.
  • Juan Nicasio Gallego(Espanha 1777 - 1853) Judas
  • Achim Von Arnim (Alemanha 1781 - 1831)Oração Tradução de Wira Selanski
  • Marceline Desbordes-Valmore(França 1786 - 1859) A Coroa Desfolhada
  • Ludwig Uhland(Alemanha 1787 – 1862) À Morte de Uma Criança
  • Lorde Byron(Inglaterra 1788 - 1824) A Destruição de Senaqueribe
  • Friedrich Rückert(Alemanha 1788 – 1886) Os Astros sobre Mim
  • "Repara, Alphonse de Lamartine (França 1790-1869)A Águia e o Sol Tradução de Joaquim Serra
  • Page 141Assim bondoso Deus reparte as vistas Com pequenos e grandes mutuamente: Cantai preces, meninos, junto às aras De quem é para todos pai clemente! ( 141 )
  • Theodor Körner(Alemanha 1791 – 1813) Oração Durante a Batalha
  • Page 143Confio em ti, Senhor! Quer da morte os trovões venham saudar-me, Quer venha o ferro as veias retalhar-me, Meu Deus e meu Senhor, em ti confio. Invoco-te, Senhor!
  • Alfred de Vigny (França 1797 – 1863)Moisés Tradução de Gilberto Bacelar
  • Page 145Profeta centenário, em que esplende o valor, Moisés partira altivo em busca do Senhor, Brilhava em sua fronte aquela chama estranha. Quando atingiu, por fim, o cume da montanha, Quando a nuvem de Deus, em raios coruscando, Envolveu do profeta o vulto venerando, Nos altares de pedra o incenso ardeu então; E milhares de Hebreus curvados para o chão, Entre as nuvens de incenso e à luz dum Sol dourado, Desferiram num coro o cântico sagrado; E o filho de Levi, surgindo dentre a massa, Qual cedro sobranceiro ao vendaval que passa Acompanhava na harpa aquela sinfonia Sem par do Rei dos Reis, que para o céu subia. Face a face com Deus, na nuvem que o encoberta Moisés, numa explosão, lhe disse d'alma aberta Aquilo que sentia: "Deixai-me repousar! Até onde, Senhor, pretendeis me levar? Poderoso vivi, na dor do isolamento: Já não suporto mais tão longo sofrimento! Afinal que fiz eu para ser vosso eleito? Como chefe segui sempre o vosso preceito. vislumbra a terra prometida:
  • Page 146O bramido do mar, quando eu falo, emudece; Se o vosso povo sofre e de outras leis carece, Levanto meu olhar, a graça me visita, Enquanto a terra treme e o próprio Sol hesita. Mesmo os anjos, eu creio, invejam o que fiz. E no entanto, Senhor, não me sinto feliz. Um triste isolamento o meu poder encerra: Dai-me agora, Senhor, o silêncio da terra! Confiado que me foi vosso fiel rebanho, O povo disse logo: "A nós parece estranho!" Mas, vendo em meu olhar a força dum mistério, Curvou-se reverente ao meu fatal império.
  • Page 147À frente dos Hebreus, a cabeça pendida, Em demanda marchou da Terra Prometida. (147)
  • Heinrich Heine(Alemanha 1797-1856) Paz
  • Page 149Passava gente vestida de branco Carregando palmas. E onde dois se encontravam, Entreolhavam-se com profunda compreensão, Estremecendo de amor e doce renúncia Se beijavam na testa
  • Aleksandr Pushkin(Rússia 1799-1837) O Profeta
  • Vítor Hugo (França 1802 - 1885)A Consciência Tradução de Mário Faccini
  • Page 152E, enquanto procurava encontrar qualquer fenda na muralha de lona, a meiga Tsila, linda como a aurora, inquiriu-lhe: - "Ó meu avô, ainda vês qualquer coisa agora?" E apontando coa mão, respondeu-lhe Caim: - "Sim! Os olhos lá estão!" Foi aí que Jubal, pai dos soldados, vendo a angústia do infeliz, acalmou-o dizendo: "É melhor se fazer uma muralha." E, assim, um brônzeo muro ergueu-se em torno de Caim. "Inda os vejo! Inda os vejo!" - este, porém, lhe disse... Depois falou Enoc: - "E se alguém erigisse um abrigo perfeito e dispusesse em volta compacta multidão de torres como escolta? Façamos uma forte e grande cidadela e encerremos Caim conosco dentro dela!" Então Tubalcaim, o ancestral dos ferreiros, empregou nessa empresa os seus dias inteiros, ao passo que os irmãos, pela planície em frente, vigiavam. E, ao encontrar alguém, barbaramente atacavam, com raiva os olhos lhe vazando; levavam toda a noite o céu trevoso olhando, e, assim que viam nele uma estrela brilhar, lançavam-lhe uma seta, ansiosos de a cegar! E a lona deu lugar a moles de granito presas com nós de ferro. O recinto maldito ficou sendo um primor de cidade infernal, desenrolando a sombra, além, de um modo tal que em derredor reinava uma noite infinita; da rígida muralha a grossura inaudita somente uma montanha a podia igualar; na porta alguém gravou: "Vedado a Deus entrar." A torre mais central, a mais fortificada, foi que elegeu Caim para sua morada. "Ó meu pai! - disse Tsila - Agora, certamente, Te sentirás seguro!" E Caim, já descrente e a tremer de pavor, respondeu: - "Maldição! Ainda me persegue a maldita visão!... Só me resta tentar o negro insulamento
  • Page 153de um tétrico sepulcro! O meu padecimento há de acabar então! Nessa nova morada ninguém mais me verá e não verei mais nada!" - E ei-lo, então, encerrado em um fosso, por fim. Mas os olhos lá estão a interrogar Caim!... 153 }
  • Cristo perante o túmuloTradução de Victor Barros Nesse tempo Jesus percorrendo a Judéia, Na divina missão de bem e caridade, Dava audição ao surdo, e ao leproso a cura, E à possessa mulher a paz e sanidade.
  • Page 155"Seguir-te-emos, Mestre", o povo diz ao Cristo. Depois Jesus partiu. Enquanto se conduz, Muita vez no caminho, a sós e pensativo, Sua túnica toma a cor branca da luz. Quando Jesus chegou, foi Marta quem primeiro, Lançando-se a seus pés, exclamou dolorosa: "Se estivesses conosco, ele não morreria; Mas, Mestre, ele morreu!” prossegue lacrimosa, “É muito tarde já!” – “Que dizes tu, mulher? Somente o ceifador é dono da seara."
  • "Lázaro!"Ah! se ele fosse a luz, se fosse a própria vida, Teria um seu amigo assim visto morrer?" E Marta conduziu Jesus à sepultura, Cuja entrada guardava imensa e rude lousa. "Eu creio em vós, Senhor, como em João e Pedro, Mas quatro dias há que ele aqui repousa..."
  • A ponteTradução de Múcio Teixeira Eu via só das trevas a cegueira; Um abismo sem porto e sem barreira Abriu-se em torno a mim;
  • Eduard Mörike(Alemanha 1804 – 1875) A um Quadro Antigo
  • Page 159Prece Tradução de Wira Selanski
  • Elizabeth Barret Browning (Inglaterra 1806-1861)Substituição Tradução de Alexandre Herculano de Carvalho
  • Henry Wadsworth Longfellow(EUA 1807-1882) Um Salmo à Vida
  • Page 162Recordar nos fazem todos os grandes homens Que podemos tornar sublimes nossas vidas; E, na despedida, deixar devemos Nas areias do tempo nossas marcas - Marcas que, quiçá, um outro ser, Da vida velejando sobre o mar solene, Um irmão, náufrago à deriva, Avistando-as, a esperança há de reaver.
  • Giuseppe Giusti (Itália 1809-1850)A Fé em Deus Tradução de C. Tavares Bastos
  • Emily Dickinson (EUA 1830-1886)Nunca Vi Um Campo de Urzes Tradução de Manuel Bandeira
  • O Amor - é anterior à Vida... (917)Tradução de Aila de Oliveira Gomes O amor é anterior à vida, À morte posterior, Da criação o nascente, e Do respirar, o expoente.
  • Há uma zona de plácidos anosTradução de Ivo Bender Há uma zona de plácidos anos E que nenhum solsticio embaraça; Seu sol produz um meio-dia perpétuo E suas estações perfeitas aguardam.
  • Paul Heyse (Alemanha 1830–1914)Vida Nova Tradução de Wira Selanski
  • José-Maria de Heredia(Cuba/França 1842 - 1905) Epifania
  • Gerard Manley Hopkins (Inglaterra 1844 - 1889)Lanterna externa Tradução de Augusto de Campos
  • A grandeza de DeusTradução de Augusto de Campos A grandeza de Deus o mundo inteiro a admira. Em ouro ou ouropel faísca o seu fulgor; Grandiosa em cada grão, cada limo em óleo amor- Tecido. Mas por que não temem sua ira?
  • Paul Verlaine(França 1844 – 1896) Parábolas
  • Erik Axel Karlfeldt (Suécia 1864-1931)Éden Tradução de Ivo Barroso
  • Page 173onde quer que vá, também vai a primavera. Um halo róseo flutua em torno de seus seios. Esta é a manhã que não termina nunca, aqui é o Éden, eis o Levante. II
  • Miguel de Unamuno (Espanha 1864 - 1936)Oração Tradução de José Bento
  • Page 175cantos de vida eterna entre teus braços, as asas do Espírito que flutua sobre a face das águas tenebrosas, acolher à sombra de tua fronte. Vem e vê, Senhor: meio seio fede; vê como eu, a quem amas, adoeço; tu és a ressurreição, Tu és a vida: Chama-me a Ti, teu amigo, como a Lázaro! Leva-nos Tu, o espelho, p'ra podermos ver frente a frente o teu Sol e conhecê-lo tal como Ele, por sua parte, nos conhece; com nossos olhos-terra a ver seu lume e como um companheiro cara a cara como a Moisés nos fale, e boca a boca. Traz-nos o reino de teu Pai, oh Cristo, que é o reino de Deus, reino do Homem! Dá-nos vida, Jesus, que é labareda que alenta e ilumina e a ser sustento, num vaso encarcerado, se sujeita; vida que é chama, que no tempo vive e em ondas, como o rio, se sucede. Nós, os homens, morremos justamente; mas Tu, sem o merecer, também morreste de puro amor, cordeiro imaculado, e estando em teu reino, não te esqueças de nós. Que nunca, qual ao vento o fumo da madeira, nos percamos sem um lugar, errantes. Mas recolhe-nos e com tuas mãos conduz as nossas almas ao silo de teu Pai, e ali aguardem que Ele do Universo faça pão, levedado por teu corpo, e alimente suas eternidades derradeiras! Misérrimos, Senhor, nós avançamos, a alma em farrapos andrajosos, como cisco nas eiras - remoinho quando sobre ele sopram as rajadas apinhados por uma tromba tormentosa 175
  • Page 176de crescentes negruras; faz que brilhe tua brancura, caiação da abóbada da infinita casa de teu Pai - lar de eternidade - no caminho da nossa marcha e esperança forte sobre nós, enquanto Deus houver! De pé e com os braços bem abertos e estendida a dextra a não secar, faz-nos cruzar a vida pedregosa - encosta do Calvário - sustentados do dever pelos cravos, e morramos como Tu, de pé, os braços bem abertos, e como Tu, ascendamos à glória de pé, para que Deus de pé nos fale e com os braços estendidos. Deixa, Senhor, quando ao fim for obrigado a sair desta noite tenebrosa em que a sonhar o coração se embota, que eu entre no claro dia que não finda, meus olhos fixos em teu alvo corpo, Filho do Homem, Humanidade inteira, na incriada luz que nunca morre; meus olhos fixos em teus olhos, Cristo, meu olhar afogado em Ti, Senhor!
  • Paul Claudel(França 1868 – 1955) A Santa Face
  • Page 178Não poder apresentar ao Pai o homem todo no mistério da Ostensão. 178
  • W. B. Yeats(Irlanda 1865 – 1939) A Segunda Vinda
  • Silvano do Monte Athos(Rússia 1866-1953) Tradução de José Tolentino Mendonça
  • Rubén Darío(Nicarágua 1867 – 1916) SPES
  • Francis Jammes(França 1868 – 1938) Prece Para Ir ao Paraíso com os Burros
  • Page 183nas águas ao mirar-me, eu me veja asniforme, fitando a minha humilde e sublime pobreza na pura limpidez do Vosso eterno amor. 183
  • Amado Nervo(México 1870-1919) Oh Cristo!
  • Charles Péguy (França 1873 - 1914)A Esperança Tradução de Guilherme de Almeida
  • Page 186dos ventos na calma do vale. No vale tão quieto.
  • Page 187A não ser a morte e o longo sono de inverno. Eu resplandeço de tal maneira em toda a minha criação.
  • Page 188E aquela vez, ó aquela vez, desde aquela vez que ela escorreu, como um rio de sangue, do flanco trespassado de meu filho. Qual não deve ser a minha graça e a força da minha graça para que essa pequena esperança, vacilante ao sopro do pecado, trêmula a todos os ventos, ansiosa ao menor sopro, seja tão invariável, mantenha-se tão fiel, tão reta, tão pura; e invencível, e imortal, e impossível de apagar-se; que essa pequena flama do santuário.
  • Page 189A Esperança é uma meninazinha de nada. Que veio ao mundo no dia de Natal do ano passado. Que brinca ainda com o boneco de neve. Com seus pinheirinhos de madeira da Alemanha cobertos de geada pintada.
  • Gertrud Von Le Fort(Alemanha 1876 – 1971) Voz do Salvador
  • Page 191Porque, repara: Eu sou uma voz mansa no meio dos vales de vosso ódio. selváticos
  • Hinos à Igreja (Fragmento)Tradução de Wira Selanski Pois por toda a parte na terra sopra o vento do abandono: escuta, como algo chora na ante-sala do mundo! Por toda a parte há um e nunca dois! Por toda a parte há um grito no calabouço e uma mão atrás da porta murada; Por toda a parte há um sepultado vivo. Nossas mães choram e nossos amados emudecem, ninguém é capaz de ajudar ao outro: todos são solitários!
  • Oscar Lubcz Milosz (França-Lituânia, 1877-1939)Poetas de Deus... Tradução de Cláudio Veiga
  • Juan Ramón Jiménez (Espanha 1881 – 1958)Deus do Amor Tradução de Manuel Bandeira
  • Jules Supervielle (França/Uruguai 1884 – 1960)Deus Pensa no Homem Tradução de Renato Suttana
  • Page 196Perdido na mata horrenda, Eu que não como nem bebo Quero-te à mesa assentado Com tua esposa ao teu lado, Eu que sou supremo sempre E desconheço o cansaço, Eu que de mim nada faço, Pois que não posso terminar Quero que sejas perecível, Serás mortal, meu menino, E eu te embalarei no berço Da terra, onde árvores cresçam. 196
  • D. H. Lawrence(Inglaterra 1885-1930) PAX
  • As Mãos de DeusTradução de Aila de Oliveira Gomes Coisa terrível é cair nas mãos do Deus vivo. Mas muito mais terrível ainda é delas cair.
  • Joyce Kilmer (EUA 1886-1918)Árvores Tradução de Olegário Mariano
  • Pierre Jean Jouve (França 1887-1976)Encarnação Tradução de Jorge de Sena
  • T.S. Eliot (EUA/Inglaterra 1888 – 1965)Um Cântico para Simeão Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos
  • Page 202Eles Te hão de exaltar e sofrer em cada geração com glória e escárnio, luz sobre luz subindo a escada dos santos. Não para mim o martírio, o êxtase do pensamento e da prece não para mim a última visão.
  • Gabriela Mistral (Chile 1889-1957)A Alegria de Servir Toda a Natureza é um desejo de serviço. Serve a nuvem, serve o vento, servem os vales. Onde haja uma árvore que plantar, planta-a tu; Onde haja um erro que emendar, emenda-o tu; Onde haja um esforço que todos evitam, aceita-o tu.
  • O Carro do CéuTradução de Henriqueta Lisboa Deita para trás a fronte, filho, e recebe as estrelas. Súbito, ao primeiro olhar, elas te apunhalam e gelam.
  • Ugo Betti(Itália 1892-1953) Pecado Original
  • César Vallejo (Peru 1892-1938)Tradução de Thiago de Mello O café da manhã... Úmida terra de cemitério sabe a sangue amado. Cidade de inverno... Travessia áspera de uma carreta que arrastar parece a emoção de um jejum encadeada!
  • Page 207e suplicar, a não sei quem, perdão e lhe assar pedacinhos de pão fresco Aqui no forno do meu coração. 207
  • Jorge Guillén (Espanha 1893 - 1984)Sexta-feira Santa Tradução de José Bento
  • Page 209Tem Mas o Filho do Homem, sim, deseja-a. É ele
  • Lucian Blaga (Romênia 1895 – 1961)As Lágrimas Tradução de Luciano Maia
  • Marià Manent(Espanha 1898-1988) Louvação do Barro
  • Page 213Quem sou? Escarnecem de mim essas solitárias perguntas minhas; seja o que for, Tu o sabes, ó Deus: sou Teu!
  • W. H. Auden(Inglaterra-EUA, 1907 - 1973) Lutero
  • Leopoldo Panero (Espanha 1909 - 1962)Tu Que Andas Sobre a Neve Tradução de José Bento
  • Page 216derramar o coração; Tu que habitas numa cabana do bosque onde cresce a Tua cruz; Tu que vives nessa solidão que se escuta na alma como um voo diáfano;
  • Luis Rosales(Espanha 1910-1992) Do pastor cego que abriu seus olhos a nova vida
  • Melissanthi(Grécia 1910-1991) O Caminho de Volta
  • Czeslaw Milosz(Polônia 1911 - 2004) Leituras
  • Francisco Matos Paoli(Porto Rico 1915 - 2000) Parábola
  • Denise Levertov(Inglaterra/EUA 1923 - 1997) A Queixa de Adão
  • Carlos Bousoño (Espanha 1923-)A Tarde da Ascensão do Senhor Tradução de José Bento
  • Jaime García Terrés (México 1924-1996)As Trevas de Job Tradução de José Bento
  • Ernesto Cardenal (Nicarágua 1925-)Salmo 21 Tradução de Thiago de Mello
  • e ninguém se aproxima para não se contagiarMas eu poderei falar de Ti aos meus irmãos Eu Te elevarei na reunião de nosso povo Ecoarão os meus hinos no meio de um grande povo Os pobres terão um banquete O nosso povo celebrará uma grande festa O povo novo que vai nascer
  • Cantarei, Senhor, Tuas MaravilhasSalmo 9 Tradução de Thiago de Mello
  • E eles estarão embalsamados em seus MausoléusLevanta-te, Senhor Que não prevaleça o homem cheio de condecorações Porque não poderão estar sempre esquecidos os explorados A esperança dos pobres não falhará sempre
  • Page 228Porque és tu quem governas pelos séculos eternos E ouves a oração dos humildes E o pranto dos órfãos E defendes os despojados Os explorados
  • Maria Victoria Atencia (Espanha 1931-)Marta & Maria Tradução de José Bento
  • BIBLIOGRAFIAAlcázar, Baltazar de. Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro Vol.1 - Renascimento. Organização e tradução de José Bento. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993 Aldana, Francisco de. Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro Vol.1 - Renascimento. Organização e tradução de José Bento. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993
  • Page 231Cardenal, Ernesto. Salmos. Tradução de Thiago de Mello. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979 Cervantes, Miguel de. Antologia da Poesia Espanhola do Siglo de Oro Vol.1 - Renascimento. Organização e tradução de José Bento. Lisboa: Assírio & Alvim, 1993
  • Page 232Gray, Thomas. Rosa do Mundo: 2001 Poemas para o Futuro. Lisboa: Assírio & Alvim, 2001 Gryphius, Andreas. O Cardo e a Rosa - Poesia do Barroco Alemão. Tradução de João Barrento. Lisboa: Assírio & Alvim, 2002
  • Page 233Longfellow, Henry Wadsworth. Site Portal Entretextos - http://www.portalentretextos.com.br/noticias/longfellow,953.html Lubicz-Milosz, Oscar Wladislas. Antologia da Poesia Francesa. Organização e tradução de Cláudio Veiga. Rio de Janeiro: Record, 1999
  • Page 234Quarles, Frances. Poesia Metafisica: uma antologia. Seleção e tradução de Aíla de Oliveira Gomes. São Paulo: Companhia das Letras, 1991 Quevedo, Francisco de. Marco Lucchesi - Poemas Reunidos. Rio de Janeiro: Record, 2000
  • Sobre o organizadorSammis Reachers é poeta, antologista e blogueiro. Autor de Poemas da Guerra de Inverno, A Blindagem Azul, Uma Abertura na Noite e CONTÉM: ARMAS PESADAS (poesia); organizador de 3 Irmãos Antologia (poemas de Gióia Júnior, Joanyr de Oliveira e J.T.Parreira), Antologia de Poesia Cristã em Língua Portuguesa, Águas Vivas 1 e 2 (reunindo textos de poetas evangélicos contemporâneos), Antologia de Poesia Missionária e Sabedoria: Breve Manual do Usuário (antologia de frases). Todas estas obras podem ser baixadas gratuitamente. Mantém mais de 10 blogs, incluindo os literários Poesia Evangélica (desde 2006), O Poema Sem Fim (pessoal), Liricoletivo e Mar Ocidental (estes colaborativos).
Text of this page

Firmes os pés, e as mãos em movimento, Nem se dá golpe em vão, nem ponta ao vento.

A afronta irrita as iras à vingança, E na vingança a afronta se renova, Com que sempre ao ferir um e outro alcança, Para novo furor, matéria nova;

De hora em hora se aumenta a gran' pujança; O que é maior perigo mais se aprova; E, até os pomos entrando o ferro agudo, Elmo a elmo se encontra, escudo a escudo.

Três vezes o guerreiro a dama adstringe Nos braços, e outras tantas, arrogante, Daqueles nós tenazes se descinge, Nós de fero inimigo, e não de amante. Tornam a espada, e um e outro a tinge, Já de ferir cansado e anelante, E este daquela um pouco se retira, E de tão longo batalhar respira.

Suspenso cada qual do corpo exangue, Sobre o pomo da espada arrima o peso. Já da última estrela o raio, langue

No alvor primeiro, que é no Oriente aceso. Tancredo adverte em maior cópia o sangue No seu contrário, e em si menos espesso, E soberbo se alegra. Oh! nossa errada Mente, a quem a aura da fortuna agrada!

Mísero, de que gozas? Oh! quão mesta Te será esta vitória, e infeliz tanto, Que a ti te custará, se a vida resta, Cada gota de sangue um mar de pranto. Assim calando, e vendo que se apresta No descanso o vigor, cessando um tanto, Rompe o silencio, em fim, Tancredo, e disse