A performance Tatugrafia, investiga de maneira crítica os atravessamentos entre Tatuagem, Cultura visual regional e normativas contemporâneos de visibilidade digital. A ação consiste na realização de tatuagens inspiradas no folclore goiano e imaginários regionalistas, organizadas a partir de uma narrativa visual contínua. Entretanto, após a execução inicial das imagens, estas passam a sofrer intervenções sucessivas por meio da sobreposição de símbolos presentes nas redes sociais, especialmente associado à estética presentes no Instagram e Facebook. Essa camada adicional interfere na legibilidade das figuras tatuadas, produzindo uma espécie de apagamento parcial do conteúdo simbólico original. A operação performática, que poderá ser assistida no ORcode no final do Flashbookzine, atua assim, como metáfora da submissão da produção artística às dinâmicas algorítmicas de engajamento, nas quais o valor simbólico da tatuagem passa a ser condicionado por métricas de circulação, aceitação e visibilidade digital. Nesse sentido, a performance propõe uma reflexão sobre o corpo enquanto campo discursivo, além de interface de disputa entre memória cultural e lógica algorítmica. O «símbolo de curtida», aplicado em diferentes escalas, distorções e repetições, opera como agente instável que invade e reconfigura a imagem tatuada, evidenciando formas contemporâneas de violência simbólica exercidas pelos sistemas algorítmicos sobre práticas artísticas e identidades visuais. A participação de múltiplos corpos no processo amplia a dimensão coletiva da obra, transformando cada interator em suporte material e discursivo da crítica proposta. A proposta tensiona questões relacionadas à mercantilização da subjetividade, à obsolescência simbólica e à instrumentalização do corpo como mídia de divulgação. O registro audiovisual da ação reforça seu caráter processual e expandido, permitindo que a performance continue circulando posteriormente como objeto crítico e documental no campo da arte contemporânea.

























